Construção civil divulga novos indicadores de carbono e energia incorporada no Brasil

CECarbon analisou obras de todo o País e mostra emissões brasileiras abaixo de referências internacionais

 

Maio, 2026 – O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP) divulgou nesta quarta-feira (13/05), durante o evento Construir com Impacto Positivo – Eficiência Hídrica e Inovação na Construção Civil, realizado na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), os novos indicadores da construção civil brasileira relacionados às emissões de gases de efeito estufa (GEE) e à energia incorporada nas edificações.

Os dados da CECarbon apontam emissões médias de 0,23 tonelada de carbono equivalente por metro quadrado (tCO₂e/m²) nas obras analisadas em 2026, o indicador está abaixo das referências internacionais. Na União Europeia, estudos apontam emissões incorporadas entre 0,43 e 0,82 tCO₂e/m² em edificações. Já a energia incorporada média das construções brasileiras alcançou 2,39 gigajoules por metro quadrado (GJ/m²), mantendo o setor em patamar competitivo no cenário internacional.

Para o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, os indicadores reforçam a maturidade ambiental da construção brasileira. “Os resultados demonstram que o setor vem consolidando práticas mais eficientes e sustentáveis. O trabalho desenvolvido pelo Comitê de Meio Ambiente do SindusCon-SP (Comasp) é importante para que as empresas brasileiras possam medir seu desempenho ambiental em relação aos indicadores nacionais e internacionais”, afirma.

Emissão de carbono

Os indicadores mostram diferenças nas emissões de GEE entre os tipos de empreendimentos. Projetos de Habitação de Interesse Social (HIS) registraram emissões médias de 0,21 tCO₂e/m², enquanto empreendimentos de padrão médio apresentaram 0,22 tCO₂e/m² e os de alto padrão registraram 0,27 tCO₂e/m². A diferença está associada, principalmente, ao maior volume de insumos, acabamentos e sistemas incorporados às edificações de padrão mais elevado.

Os empreendimentos comerciais e de uso misto registraram 0,23 tCO₂e/m², resultado associado ao sistemas empregados e aos materiais utilizados. Os empreendimentos residenciais registram 0,22 tCO₂e/m².

Os resultados da CECarbon indicam ainda que as escolhas construtivas têm impacto direto nas emissões associadas às obras. O sistema de Parede de Concreto apresentou intensidade média de emissões de 0,19 tCO₂e/m², enquanto o sistema de Alvenaria e Estrutura Convencional registrou 0,26 tCO₂e/m². O sistema de Alvenaria Estrutural apresentou intensidade média de emissões de 0,21 tCO₂e/m².

Segundo Francisco Vasconcellos Neto (foto acima), vice-presidente de Meio Ambiente do SindusCon-SP, o levantamento reforça o amadurecimento técnico da ferramenta e a ampliação da base de dados do setor.

“A CECarbon está consolidada como uma importante referência nacional para mensuração de emissões de carbono e energia incorporada na construção civil. O crescimento da base de dados e o avanço metodológico da ferramenta permitem análises cada vez mais precisas e alinhadas às demandas de sustentabilidade do setor. Além da questão ambiental, esses indicadores passam a ter relevância crescente para a competitividade das construtoras, acesso a financiamentos e desenvolvimento de empreendimentos alinhados às demandas por construções sustentáveis no mercado”, destaca.

Consumo energético

O indicador da CECarbon considera a energia incorporada aos materiais e aos processos construtivos ao longo da execução das obras. Ao analisar por padrão de empreendimento, observa-se que os projetos de Habitação de Interesse Social (HIS) registraram energia incorporada média de 2,26 GJ/m², os empreendimentos de padrão médio alcançaram 2,27 GJ/m² e os projetos de alto padrão apresentaram 2,72 GJ/m².

Por tipologia de uso, os empreendimentos residenciais apresentaram média de 2,39 GJ/m², enquanto os comerciais e mistos também registraram 2,39 GJ/m².

Na análise por sistema construtivo, o sistema de Parede de Concreto registrou média de 2,05 GJ/m², enquanto o sistema de Alvenaria e Estrutura Convencional apresentou média de 2,71 GJ/m², segundo o indicador da CECarbon. Já o sistema de Alvenaria Estrutural apresentou média de 2,19 GJ/m².

Plataforma Construção Sustentável e CEHídrica

Durante o evento, o SindusCon-SP lançou também a Plataforma Construção Sustentável e a Calculadora de Eficiência Hídrica na Construção (CEHídrica).

A Plataforma Construção Sustentável é um ambiente digital que reúne, em um único local, ferramentas voltadas à gestão ambiental da construção civil, com foco em temas como emissões de carbono, eficiência energética e gestão hídrica.

Já a CEHídrica foi desenvolvida para apoiar a avaliação do consumo e do impacto hídrico das edificações ao longo do ciclo de vida dos empreendimentos.

“As novas soluções do SindusCon-SP representam um avanço importante para ampliar a integração de dados e apoiar decisões mais eficientes e sustentáveis no setor. Elas reforçam o comprometimento da entidade com o desenvolvimento de ferramentas que viabilizem a construção sustentável de forma consistente, acessível e sem onerar as empresas. Com isso, construtoras de diferentes portes poderão participar de forma mais ativa da agenda de sustentabilidade e atender às demandas de legislações e certificações”, finaliza a coordenadora técnica do Comasp, Lilian Sarrouf.

A Plataforma Construção Sustentável está disponível em: https://construcaosustentavel.com.br/

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