A pressão de commodities metálicas e derivados de petróleo comprime margens de construtoras e deve ter reflexos no mercado imobiliário nos próximos ciclos de vendas, conforme análise de especialista; em polos valorizados, investidores já sinalizam maior interesse em compras na planta para travar o valor do metro quadrado e como forma de proteção contra a crise global.
Maio, 2026 – O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) acaba de registrar sua maior alta mensal em quase quatro anos e pressiona o mercado imobiliário a antecipar a revisão de tabelas. Com avanço de 1,04% em abril, o indicador rompeu um teto que se mantinha desde julho de 2022. A inflação setorial, que acumula 6,28% em 12 meses segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV), é impulsionada pelo salto de 39% no preço dos tubos de PVC, reflexo do encarecimento do petróleo em meio à crise no Oriente Médio. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) também mostra que o índice que mede o custo médio de insumos subiu 6,8 pontos no primeiro trimestre do ano.
Em Santa Catarina, onde o mercado imobiliário figura entre os mais aquecidos do país, com quatro das cinco cidades mais valorizadas, conforme o índice FipeZap, e com mais de 6,7 mil vagas formais criadas no setor apenas nos dois primeiros meses de 2026 (Caged), sindicatos da indústria da construção já relataram aumentos entre 20% e 30% em materiais.
Para o especialista em mercado imobiliário Bruno Cassola, a alta dos insumos ocorre após um ciclo de juros elevados que reduziu o ritmo de compras no alto padrão e manteve os preços dos imóveis praticamente estáveis por mais de um ano. “Desde o fim de 2024, com a Selic em alta, muitos investidores deixaram o dinheiro na renda fixa buscando rentabilidade. As construtoras seguraram os preços para manter as vendas aquecidas, mas agora, com a alta dos materiais, esse impacto deve chegar ao mercado”, afirma.
Segundo Cassola, o novo cenário exige uma mudança na estratégia de compra. “Quem conhece o ciclo entende que o momento é de reposicionamento. O investidor que compra agora pode travar preço antes dos reajustes, mas precisa fazer uma operação bem planejada, comprando à vista ou com prazos menores, já que parcelamentos muito longos tendem a sofrer mais com correções como INCC e CUB”, explica o fundador e sócio-diretor da IBC Imobiliária em Balneário Camboriú.
Apesar da pressão de preços, o especialista acredita que o setor seguirá com demanda consistente. “A construção civil é uma cadeia longa e sensível a variações de custo, mas também é um dos motores da economia. Mesmo com esse cenário, o imóvel é a maior proteção contra crises e quem está bem posicionado no mercado tende a continuar comprando, até porque o imóvel, no caso do litoral de SC, supera a inflação no médio e longo prazo”, completa Cassola.
Corretor premiado e especialista em investimentos de alto padrão, Bruno Cassola é referência nacional, oferece consultoria personalizada e análises sobre o mercado imobiliário de Balneário Camboriú e da Praia Brava de Itajaí, no litoral catarinense. Mais informações em: https://www.brunocassola.com.br/.


