Fumaça sangrenta: os milhões mortos pela poluição do ar

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Por Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

Janeiro, 2021 – A Medicina do País se compõe – em ampla frente, de Norte a Sul – para a defesa da qualidade do ar e da vida. Pneumologistas, cardiologistas, clínicos médicos, ginecologistas, neurologistas, médicos de tráfego, emergencistas, nutrólogos, obstetras, pediatras, associações médicas… Todos!, por uma causa do bem.

Em coesão, em uma só voz, os médicos pleiteiam a manutenção do prazo de vigência (2023) da fase P8 do Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores. A contenda é para que as montadoras de veículos automotores cumpram  o Padrão Internacional Euro VI, conjunto de normas para minimizar os poluentes lançados no ar que respirados pela frota veicular.

Nesse quesito, aliás, estamos nove anos atrasados em relação à Europa e 13 anos aos Estados Unidos.

Eventual adiamento por mais três anos, para 2026, como deseja a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), custará ao Brasil mais milhares de mortes relacionadas à poluição veicular, além de representar ao combalido Sistema Único de Saúde milhões de reais em tratamentos evitáveis, caso o investimento seja em políticas preventivas.

Tudo isso em momento de crise sanitária mundial, sobre a qual ninguém tem certeza de quando será controlada.

A Sociedade Brasileira de Clínica Médica, da qual sou presidente, integra esse movimento e é signatária de dossiê enviando à Presidência da República, ao Ministério da Saúde e ao Ministério do Meio Ambiente.

Muitos artistas e esportistas também estão ao nosso lado, para defender mais responsabilidade do Estado na inadiável batalha contra a contaminação do ar.

Aliás, é mister ressaltar, que a contaminação do ar é responsável por 35% das mortes por doenças respiratórias, 15% das mortes por doenças cerebrovasculares, 44% das mortes por doenças do coração, 6% das mortes por câncer de pulmão e 50% dos casos de pneumonia em crianças, segundo dados recentes da Organização Pan-Americana de Saúde.

Isso posto, vem a pergunta que não quer calar: se as montadoras seguem as regras-padrão na Europa e EUA, qual o motivo de elas tentarem prorrogar indefinidamente a adoção aqui?  A saúde do brasileiro vale tanto quanto a do europeu e a do americano, creio que concordamos.

Então, quem pensa diferente, que venha a público e o diga com todas as letras.

Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica

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