Presidente da Autodesk Brasil faz raio X do uso do BIM no país.

"O país lidera quando o assunto é investimentos em softwares baseados em BIM", diz estudo do IDC.

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Por Severian Rocha

Novembro, 2020 – Soluções tecnológicas tomam o mundo da construção. São ferramentas diversas, eficazes e inovadoras que chegaram para facilitar os projetos de Arquitetura, Engenharia e Construção(AEC) em qualquer parte do planeta. Construir, agora é mais fácil do que se imagina. O BIM (Building Information Modeling) já chegou!

Para entender melhor um cenário de uso e soluções do BIM no Brasil, o Jornal da Construção Civil acompanhou o Autodesk University 2020, uns dos maiores eventos de tecnologia no mundo, realizado nos EUA,. promovido pela AUTODESK. Na ocasião, Sylvio Mode, presidente da companhia no Brasil concedeu uma entrevista para o portal, sobre o Raio X do BIM no país, suas ações e soluções para desenvolver melhor a indústria da construção neste “Novo Normal”..

JCC – Como você vê a implementação do BIM no Brasil, neste momento de Coronavírus ?

Sylvio Mode – Em um momento de retração de investimentos como o que estamos vivendo, tudo o que mais precisamos é de eficiência e  eficiência na gestão das obras de infraestrutura e edificações no Brasil. Pois é exatamente isso que a metodologia BIM (Building Information Modeling) proporciona. Ao permitir a digitalização de todo o processo da construção — desde a concepção inicial até os projetos detalhados –, o BIM faz com que tenhamos camadas de  gestão mais eficiente das obras, reduzindo erros e aumentando a transparência, o que dá maior visibilidade à gestão dos recursos. Em alguns casos, ele ajuda a reduzir até 30% dos custos totais de uma construção.

A adoção dessa tecnologia vem crescendo no país nos últimos anos, mas é a partir de 2021 que esperamos o grande boom  já que o BIM se tornará mandatório na execução direta ou indireta de obras e serviços de engenharia realizada por instituições públicas. Embora a determinação não tenha relação direta ou imediata com a pandemia, ela vem a calhar, tanto pela economia que o BIM proporciona quanto pela necessidade de se inovar no setor.

Além disso, como a metodologia permite fazer simulações e análises também em projetos de readequações de espaços urbanos, ela faz ainda mais sentido atualmente, com o replanejamento urbano ganhando força em todo o mundo, no sentido de reestruturar e adaptar as cidades às novas condições. O BIM contribuirá significativamente para reestruturações mais ágeis, assertivas, econômicas e acessíveis.

JCC – O Home Office vai demandar mais soluções BIM ?

Sylvio Mode – Estamos vivendo um momento muito particular em nossa história, em que a pandemia colocou um terço da população mundial em quarentena – como apontou um balanço da agência France Presse (AFP), realizado no início deste ano. Essa condição levou muitas empresas/profissionais a aderirem ao sistema remoto de trabalho, uma realidade que deve permanecer, pois as companhias perceberam que o home office é possível. E a tecnologia é uma grande aliada nesse processo.

Temos observado que a continuação do trabalho remoto pós-pandemia requer, além de uma estrutura de telecom robusta que leve conexão para os lares, uma adequação das residências para um home office com conforto, o que acaba sendo uma nova oportunidade para o setor de arquitetura e construção. Consequentemente, o uso do BIM poderá crescer, pois entrega resultados precisos, assertivos e mais sustentáveis, como requeridos nessa nova era. Estamos falando, por exemplo, de reformas para melhorar a iluminação de um ambiente ou melhor o conforto térmico e acústico de uma casa que virou escritório, mas também de obras maiores em restaurantes e escritórios, que agora exigem distanciamento maior entre as mesas e mais higiene.

Vale destacar ainda que o BIM permite que várias profissionais de um mesmo projeto (engenheiros, projetistas, arquitetos etc.), mesmo que de empresas distintas, trabalhem simultaneamente a distância. Por isso a metodologia funciona muito bem nesse novo modelo de trabalho remoto também para quem é da indústria de AEC. Entre outras várias atividades, o BIM prevê, por exemplo, a criação de uma biblioteca virtual com toda a base de dados do projeto, além de contribuir com o cálculo do orçamento da obra em todas as etapas – do projeto à construção.

Autodesk Revit 2020 – New Structural Features Review - Revit news
Autodesk Revit 2020

JCC –  O BIM será obrigatório em todas as obras públicas em 2021 no Brasil, como você avalia esta ação? É um processo de modernização importante nos projetos AEC ?

Sylvio Mode – Sem dúvida. A obrigatoriedade do BIM em obras públicas é um grande avanço para a modernização do setor no país. Vivemos uma nova era, que requer processos mais ágeis e assertivos, e na construção civil não é diferente.

Nesse sentido, a metodologia BIM é a solução, pois integra tecnologia, políticas, processos e pessoas, permitindo uma gestão mais eficiente das construções, com maior transparência ao processo construtivo e ao uso dos recursos materiais e financeiros. Por tudo isso, ela vem sendo aplicada em diversos países nos últimos anos. No Reino Unido, por exemplo, ela se tornou mandatória em 2016, o que tem ajudado bastante na redução de custos pela máquina pública.

No Brasil já temos muitos casos de uso. Além de fornecer tecnologia para o segmento, também temos ajudado instituições privadas e governamentais na adoção dessa tecnologia há pelo menos 10 anos. Em São Paulo, por exemplo, temos um projeto com a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, que conseguiu reduzir em pelo menos 30% o tempo gasto com operações graças ao uso do BIM.

Enfim, com a obrigatoriedade a partir de 2021, esperamos que sua adoção seja acelerada. Era o estímulo que o setor precisava para inovar.

 JCC – No Brasil, todos os produtos da Autodesk são aceitos igualmente ou cada produto possui uma demanda diferente? Você pode dizer um produto de destaque?

Sylvio Mode – Para o segmento de AEC, a Autodesk oferece uma gama de soluções para melhorar os fluxos de trabalho em BIM e em CAD, que dão suporte desde os estágios iniciais do projeto até a obra. Dentro do nosso portfólio existem tipos de software específicos para cada segmento e aplicação. E a integração entre eles possibilita um fluxo de trabalho mais completo.

Para isso, oferecemos o pacote de serviços AEC Collection, com 17 programas, que inclui o Revit, o AutoCAD, o Civil 3D, o Navisworks Manage, o InfraWorks entre outros.  A coleção possui os produtos necessários para concluir os fluxos de trabalho de projeto e construção em todo o ciclo de vida, como o projeto conceitual, a coordenação de superfícies do terreno, a modelagem de contexto do projeto do terreno no estágio inicial, o projeto de pontes, a análise estrutural, o detalhamento e a fabricação de aço e a fabricação mecânica. O intercâmbio de dados e a interoperabilidade de produtos na coleção permitem que você mova os dados entre os produtos para concluir esses fluxos de trabalho.

Uma questão de um usuário sobre o Infraworks 360 – “Para o que realmente  serve?” | Mundo AEC - Autodesk
Autodesk InfraWorks

 JCC – No aspecto Tecnologia/Educação e Saúde, o Brasil é um país imenso com muitas demandas e necessidades diferentes, que funciona em alguns momentos positivamente e, em outros, negativamente. Como a Autodesk olha essa situação? Fazer parcerias com escolas, associações de classe, institutos entre outras medidas é uma boa ação da empresa?

Sylvio Mode – Como líder mundial em software 3D para o setor de AEC, temos como missão ajudar no processo de democratização das tecnologias para tornar os projetos e construções possíveis. E passa por isso investir na formação de jovens profissionais. Uma das ações que desenvolvemos nesse sentido é conceder acesso gratuito a todo o nosso portfólio de soluções para estudantes e professores de instituições acadêmicas filiada ao Ministério da Educação. A iniciativa faz parte do programa educacional da Autodesk que alcança mais de 2 mil universidades em todo o Brasil, por meio de 254 parceiros.

Por meio de workshop, também levamos conhecimento a universidades. Há pouco mais de um ano, juntamente à A ENG – empresa dedicada a treinamentos, consultoria, licenciamento de software e tecnologia para as áreas de Educação, Comunicação e TI, realizamos uma palestra sobre Projetos, Acompanhamento de Obra e Manutenção Predial com a Metodologia BIM!, voltado para quem trabalha ou estuda Arquitetura, Urbanismo e Construção Civil.

No que diz respeito a iniciativas voltadas para a saúde, neste ano vimos nossas tecnologias aplicadas em ações para ajudar no combate ao Covid-19. Nossa tecnologia foi utilizada na construção em tempo recorde de dois hospitais, um localizado em Manguinhos, no Rio de Janeiro ,encomendado pela Fiocruz. Outro fica no M`boi Mirim em São Paulo, e foi financiado pela prefeitura da cidade.

JCC – Como o setor da construção têm adotado o BIM nos últimos anos no Brasil ?

Sylvio Mode – Em maio, a Autodesk lançou o estudo global “Transformação Digital: O Futuro da Construção Conectada”, da consultoria IDC, que ouviu 835 profissionais de grandes construtoras em 12 países da Europa, Américas e Ásia, incluindo o Brasil. O relatório, que tinha como objetivo avaliar a maturidade e os desafios da transformação digital (DX, da sigla em inglês) de setor de construção, apontou que o Brasil é o país com o menor nível de maturidade entre os países avaliados e está atrasado em relação aos  outros quando se trata da adoção de tecnologias como Big Data, Inteligência Artificial e modelagem 3D.

No entanto, o estudo mostrou que há uma mudança em direção aos padrões internacionais de construção e o país lidera quando o assunto é investimentos em softwares baseados em BIM, o que representa um movimento essencial para a transformação digital na indústria da construção no país. A adoção da tecnologia no país é de 53%, o que pode ser explicado pelo aumento de parcerias público-privadas nos últimos anos e pela sua obrigatoriedade a partir de 2021.

 Como expliquei anteriormente, já temos muitos casos de uso no Brasil. Há anos temos ajudado instituições privadas e governamentais na adoção dessa tecnologia.

Com a obrigatoriedade do BIM em 2021, o uso da metodologia tende a crescer ainda mais ao ser exigido em obras do Ministério da Defesa, Ministério da Infraestrutura, e pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) – com quem a Autodesk assinou um acordo de colaboração técnica para utilização do BIM na gestão de projetos e obras.

 JCC – Como serão os projetos AEC no futuro? Muito mais integrados com o meio ambiente/social ?

Sylvio Mode – A indústria da construção, ainda que esteja passando por uma transformação digital tardia, tem inovado e aderido a tecnologias de ponta para melhorar a rentabilidade, segurança e previsibilidade desde os projetos às obras, minimizando riscos e incertezas, reduzindo desperdícios e retrabalho e mudando a dinâmica atual do setor. O próprio BIM é um exemplo disso. Mas ainda podemos citar algumas tecnologias mais conhecidas do grande público, como drones, realidade virtual, realidade aumentada, Big Data, computação em nuvem e impressão 3D, todas elas já em uso pelo setor e moldando a nova maneira de projetar e/ou construir. Ou seja, o futuro já está acontecendo!

Essas tecnologias abrangem tanto as áreas de design e gerenciamento de projetos quanto o processo físico da construção em si. Muitas delas ainda estão em fase de implantação e desenvolvimento, não sendo ainda exploradas em seu potencial máximo, é verdade. Mas sem dúvida, as suas aplicações estão mudando a cara do setor, além de ajudar no uso eficiente de recursos, minimizando os impactos sobre o meio ambiente e gerando economia para projetos e construções,

Para saber detalhes dos produtos acesse www.autodesk.com.br/

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