Artigo: Usina de Belo Monte, que de belo não tem nada

260

Rodrigo Berté

A maioria dos brasileiros fica com o sentimento de impotência, ou melhor angústia, com as divulgações sobre a Usina de Belo Monte. O que mais impressiona é a ausência do poder público e uma espécie de “passa ou repassa” em relação as compensações ambientais diante dos impactos gerados na construção da terceira maior usina hidrelétrica do mundo.

Diminuir a agressão ao meio ambiente nunca foi o foco. Isso já era perceptível nas audiências públicas realizadas antes da construção, em que as compensações socioambientais para a comunidade de Altamira (PA) pareciam ser maiores que os impactos ambientais. Alguns podem pensar que a avaliação inicial evasiva é uma estratégia, mas a verdade é que os estudos realizados no Brasil não têm profundidade técnica. É o caso do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-RIMA), presentes neste megaprojeto.

E a falta de informação gera muitas consequências. As mais visíveis atualmente são os impactos ambientais causados pela formação de um lago de 500 km². Não tem como não ver, pois isso tem o tamanho da cidade de Curitiba (PR). Isso, sem mencionar a questão social, em que o atendimento aos atingidos ficou na inércia, entre o poder público de Altamira e a Norte Energia. As famílias estão em assentamentos urbanos em que não existe infraestrutura e as casas têm rachaduras. E existe uma legislação específica em que a relocação das famílias precisa atender as necessidades sociais, culturais e econômicas.

Considerando o Dia do Meio Ambiente (05 de junho) é importante avaliar se um projeto desta natureza compensa. Sabemos da necessidade e da importância de gerar energia e a capacidade máxima de Belo Monte deve ser atingida em 2019, gerando energia para 60 milhões de pessoas, ou seja, aproximadamente ¼ da população brasileira atual. Isso altera o nosso potencial energético e torna o Brasil mais forte quando o assunto é atrair negócios para a região Norte que atualmente tem um déficit de geração de energia.

Mas entendemos quais são os impactos ambientais e sociais gerados em especial nas comunidades tradicionais e ribeirinhas do Xingu?

Esperamos um desfecho que seja positivo para o meio ambiente e as comunidades locais, lembrando o ar não se compra, a água pura esta escasseando e nosso maior desafio neste século é a capacidade de perpetuar.

Rodrigo Berté, é PhD em Educação e Ciências Ambientais, Diretor da Escola Superior de Saúde, Meio Ambiente, Sustentabilidade e Humanidade do Centro Universitário Internacional Uninter.

 

 

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.