Livro Flor de Sal, ótima leitura para todos os gostos.

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Memórias de um Hedonista – livro I

 

“O personagem principal nos mostra seus medos, dúvidas e questionamentos em um processo parecido com uma terapia, porém o divã é uma mesa de bar. Com o objetivo de servir de exemplo para as novas gerações e em busca de autoconhecimento”.

Enquanto uns tentam conceituar família, em pleno 2015, como na época do império, na mesma proporção em que salivam com as sacanagens ao estilo “Verdades Secretas”, o publicitário carioca Robson Felix de Almeida se propõe a divertir seus leitores numa odisseia sacana e pronto. Simples assim. Julgar ou não, já é problema teu. 

Sem o menor pudor ou culpa no modelo judaico-cristão, Felix passa por aventuras urbano-pitorescas que vão te arrancar, no mínimo, boas risadas com o primeiro livro que dá origem à série Flor de Sal – Memórias de um Hedonista. Mas não espere fugir da densidade natural que é “fruto de lembranças – ou delírios – de uma mente extremamente angustiada e compulsiva”, como ele se define na orelha do livro, “revisitando os caminhos tortuosos que acredita ter percorrido.”

” Sexo, drogas e rock’n rol é fichinha para autoficção cheia de malandragem do escritor carioca “

Robson
Publicitário Robson Felix, em noite de autógrafos do livro.

Este primeiro livro narra desde os dramas de um rapaz tímido que acaba de casar com a primeira “gostosa” que conheceu e se vê fracassando no corpo de um pai de família exemplar, até sua entrada no mercado corporativo e as rodas de empresários carregadaspor drogas e prostitutas de Copacabana. Nos próximos, ele adianta sem fazer spoiler, vem a tentativa do narrador de se apaixonar por lolitas vanguardistas e liberais que o fazem de gato e sapato. Descrevendo com a acidez e veemência necessárias para uma posição crítica da rotina de uma geração sem ideologias e dos vários nichos urbanos do Rio de Janeiro e, é claro, os pontos turísticos que mais aguçam os sentidos do leitor: a Lapa, Santa Teresa, e o lado da Zona Sul que compõe o carioca da mais alta malemolência. Tudo isso regado a uma narrativa crua e de humor aprazível, o que faz da obra uma vitrine dos jogos que a sociedade se utiliza na busca de todas as formas de prazer hedonista.

O personagem central da trama (que não revela seu nome e nos causa propositalmente uma confusão entre narrador – personagem e autor) nos guia pelos espirais do tempo justificando os caminhos que o levaram a se tornar o homem confuso e entediado que a cada página vai se revelando mais. De acordo com o autor, a ideia é fazer uma série que nem ele mesmo sabe onde vai chegar, já que suas memórias não param de jorrar passagem interessantes. Para o leitor, a impressão que se passa é que o autor é ao mesmo tempo personagem e narrador, diluído entre suas várias personas, mas todas elas fluindo como marionetes pelas manias da sociedade do espetáculo dos novos tempos. “O livro traça a metanoia de um homem de meia idade através de suas lembranças, em uma narrativa dura. Sem dúvida é um livro sobre a minha vida, mas com toda a liberdade de juntar histórias que, eventualmente, eu tenha apenas ouvido falar.”, diz.

Livro
Imagem: Divulgação

Era de se esperar (e até proposital) está confusão, sendo a obra classificada como autoficção – termo usado na crítica literária para se referir a uma forma de autobiografia ficcional, ou seja, combinando dois estilos, paradoxalmente contraditórios: a de autobiografia e ficção. O escritor se define como portador de um tipo raro de amnésia emocional para justificar as recordações ficcionais que nos fazem sair da zona de conforto e rir, chorar ou até sentir certo asco, já que aventuras sexuais escatológicas não ficaram de fora. Compulsivo, também, por citações, outra mania atual que parece generalizada, Robson faz valer a pena essa brincadeira, principalmente quando os autores e suas citações interagem com ele até na hora da sacanagem, em uma mediunidade malandra.

Mas, o autor adianta que está trabalhando em outros projetos mais leves, onde ele vai poder ser menos ácido, mas sem perder o estilo cortante que acredita ser sua marca registrada. Vem aí um livro de crônicas e outro de poesia.

Vale a pena a leitura de Flor de Sal – Memórias de um Hedonista – Livro I

Páginas: 172

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