Thiago Figueiredo: o especialista por detrás das inovações das máquinas da New Holland Construction e Case CE

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Por Pablo Marlon

Dezembro, 2018 – Nascido em Bicas/MG, Thiago Figueiredo é graduado em Engenharia de Produção pela UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora), na mesma Universidade fez a Pós-Graduação em Métodos Estatísticos e, posteriormente, MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas – Juiz de Fora/MG-. Desde 2013, trabalha no time de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) da CNH Industrial que somam cinco anos de experiência com a Gestão da Inovação e Propriedade Intelectual. O mineiro trabalha numa estrutura global, mas, respeitando as demandas específicas de cada mercado. Seu foco é a América Latina, embora desenvolva projetos em outros mercados, como o americano.

Ele também, representa a CNH Industrial em fóruns técnicos na Anfavea e Abimaq, além de responder pelo  Brasil no Comitê ISO TC127 que cria todas as normas técnicas que são aplicadas a máquinas de construção (Earth-moving machinery) ao redor do planeta.

Thiago também trabalhou nove anos na área de dispositivos médicos, na empresa Becton Dickinson localizada em Juiz de Fora/MG, onde desempenhou as atividades de Engenharia de Processos, Engenharia de Melhorias Contínuas e Coordenador de Validação/Qualidade.

O Jornal da Construção Civil bateu um papo com Thiago para saber das novidades de mercado, tecnologia dos produtos da New Holland e Case. Confira:

JCC – A cadeia da construção civil foi diretamente atingida por ações sucessivas equivocadas da política brasileira que não se definia e, caminha ainda por um roteiro desconhecido. De que forma a New Holland e a CASE estão se posicionando no mercado atuante?

Thiago – Infelizmente é notório que as demandas de infraestrutura do país (como estradas pavimentadas) e da sociedade (como saneamento básico) estão desconectadas das prioridades da política nacional. Entretanto, ainda que caminhando rumo a um 2019 ainda “incerto”, estamos otimistas e mais do que preparados para ajudar na retomada do crescimento do país.

As marcas de máquinas de construção da CNH Industrial, New Holland Construction e CASE Construction Equipment, estão trabalhando forte em melhorias de produtos e novos serviços de modo a entregar maior produtividade e redução de custos. Além disso, introduzimos novas máquinas-conceito durante a Feira M&T2018, demonstrando nosso compromisso com a Inovação e com o país, pois desenvolvemos em nossas plantas do Brasil novas tecnologias que, em breve, estarão sendo aplicadas em outros mercados, fora do Brasil. 

Dois pilares nortearam o projeto da New Holland B95B Acessível: inclusão e qualidade de vida. Divulgação

JCC – Inovar, teoricamente é mais difícil do que criar novos produtos, como foi gerada essa capacidade de inovação?

Thiago – Nós atuamos em duas linhas diferentes de estratégias: (1) Inovação incremental, visando melhorias em produtos e serviços já existentes e (2) Inovação disruptiva, ousando em ofertar produtos e serviços ainda desconhecidos do mercado, mas os quais serão demandados num futuro próximo.

Inovar é caminhar em direção ao desconhecido, vislumbrando potencialidades que ainda não estão claramente compreendidas e, por isso, é realmente uma tarefa árdua. Entretanto, inovar é “prática” e decidimos praticar há anos e por isso somos confiantes. Além disso, a sinergia entre os negócios e setores da CNH Industrial (máquinas agrícolas, caminhões, ônibus, motores, geradores, serviços financeiros) possibilita a troca e o que provoca confrontos de realidade muito estimulantes para fins de Inovação.

JCC – Conte-nos sobre os desafios que você ou sua equipe atravessou para minimizar impactos em relação a patentes (se houve) e, de que forma foi conduzida essa ação?

Thiago – A abordagem de Propriedade Intelectual/Patentes é um pilar chave da gestão da Inovação. Durante os projetos de Inovação apresentados ao longo da Feira M&T 2018, nos deparamos com várias consultas em bancos de dados de desenhos industriais e patentes de tecnologias já registrados ao redor do mundo.

Diante de nossas inovações disruptivas, encontramos poucas similaridades já registradas como patente, mas assusta o fato do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual) demorar anos para reconhecer uma patente de tecnologia. Ainda que os direitos de autor sejam preservados, é notória a lacuna de tempo na qual estamos expostos a possíveis imbróglios jurídicos desnecessários.

Retroescavadeira New Holland B95B garante acessibilidade para pessoas com mobilidade reduzida. Divulgação

JCC – O portfólio das empresas (New Holland e Case) parece competir entre si, diga o que o cliente final, pode esperar de cada uma delas, citando um produto de ambas com os seguintes tópicos: Ciclo de vida do produto, capacidade de autonomia da máquina, acessibilidade e tecnologia ? 

Thiago – O portfólio das marcas de construção da CNH Industrial, New Holland Construction e CASE Construction Equipment, se complementam e trazem uma sinergia única para o mercado nacional e quem mais ganha com essa abordagem é o nosso cliente.

A CASE lançou a máquina conceito 580N Wireless (Retroescavadeira). Substituímos chicotes elétricos por placas eletrônicas que se comunicam por protocolos wireless, o que nos permitiu adicionar um tablet, em detrimento do tradicional painel de controle. Essa disrupção foca num maior ciclo de vida do produto, pois as manutenções serão mais rápidas e gerando menor impacto no meio-ambiente. Também nos preocupamos com a nova geração de operadores, que se sentirá mais “conectada” por meio deste tablet.

A New Holland Construction lançou a máquina conceito W190B Conecta (Pá Carregadeira). Adicionamos leitores biométricos na porta e na ignição, adicionando níveis de segurança capazes de proteger o operador (operação somente após verificação de treinamento, por exemplo) e aumentar a segurança da operação no local de trabalho (melhor gestão da frota de máquinas). Em paralelo, desenvolvemos um novo dispositivo de conectividade capaz de capturar dados técnicos da máquina, auxiliando em parâmetros de operação capazes de otimizar a produtividade e reduzir consumo de combustível. O ciclo de vida do produto será maior, pois a segurança da máquina e da operação implica em evitar/eliminar eventos inesperados e a conectividade irá impactar em menor consumo de combustível, com menor emissão de poluentes para o meio-ambiente.

JCC – Sobre a CASE, buscar soluções que visam aumentar a segurança, produtividade e inclusão no ambiente de trabalho, pode ser considerada uma preocupação que a empresa tem. Como surgiu a ideia de fabricar retroescavadeiras para pessoas com mobilidade reduzida?

Thiago – A ideia da Acessibilidade surgiu, em 2016, como inspiração após o lançamento do 1º ônibus acessível do país, da marca IVECO BUS, que também pertence à CNH Industrial: Daily Elevittá. Na sequência, procuramos por exemplos aplicáveis a máquinas de construção e encontramos somente iniciativas isoladas ao redor do mundo.

Quando identificamos o número de brasileiros que se declaram com algum tipo de deficiência, entendemos que algo precisava ser feito. Quando conversamos com portadores de necessidades especiais que se encontravam empregados apenas para fins de atendimento de quotas obrigatórias por lei, mas sem ocupação real no dia a dia, decidimos sonhar com uma solução capaz de equacionar esses gaps. E focamos numa Retroescavadeira por ser o modelo mais abrangente em termos de aplicações no mercado nacional.

A máquina-conceito visa oferecer Inclusão a pessoas com mobilidade reduzida (cadeirantes, obesos, idosos, amputados, lesionados). Inclusão no mercado de trabalho. Inclusão na sociedade. Inclusão ao direito que todos nós temos de sonhar com um futuro melhor.

Trata-se de um projeto totalmente disruptivo, desde a sua natureza técnica até o nosso sonho de criar uma “rede do bem” capaz de inspirar pessoas e trazer sonhos a quem não se permitia vislumbrar dias melhores.

JCC – O Termovisor surgiu com a necessidade de inovação, de prevenção… a ideia é ofertar ao cliente a maximização e um excelente resultado final nos trabalhos da construção civil e mineração?

Thiago – O Termovisor surgiu também com o foco em facilitar as atividades de manutenção, permitindo um diagnóstico rápido e preciso, com imediata liberação da máquina para retorno às atividades no campo de trabalho.

Com a Conectividade, somos capazes de entender o comportamento de cada máquina, ainda que nas mais diversificadas operações. O Termovisor vem como um complemento para confirmar as informações coletadas anteriormente e para direcionar as ações que forem necessárias (preditivas ou corretivas). Desta forma, oferecemos uma gestão completa capaz de aumentar a produtividade de nossas máquinas. 

JCC – Vocês ofertam serviços com o DATAR, o Termovisor… Existe treinamento pós-aquisição para quem compra a máquinas e precisa saber como funciona a tecnologia disponível?

Thiago – Exatamente. Contamos com treinamentos realizados por nossos funcionários diretos e indiretamente por meio de concessionários, devidamente instruídos pela fábrica.

Nosso time de Pós-Vendas está sempre apto a visitar e ajudar os nossos clientes no rápido diagnóstico. É o que chamamos de “Customer Experience”: cada cliente é único e nossa meta é superar as experiências anteriores (melhoria contínua).

JCC – Conte mais sobre a inovação dos produtos pelas seguintes perspectivas: Acessibilidade: ao que parece, a engenharia de produtos desenvolveu uma tecnologia capaz de fazer com que pessoas com deficiência visual tenham condições de operar uma maquinas…

 Autonomia: (até que ponto, as máquinas desenvolvidas pelas marcas New Holland e Case) são capazes de operacionalizar de forma autônoma?

Thiago – [Acessibilidade] As máquinas de Acessibilidade apresentadas durante a Feira M&T2018 são focadas nas pessoas com mobilidade reduzida, o que engloba cadeirantes, idosos, amputados, obesos e lesionados. É premissa que todos tenham controle do tronco e braços, pois é inerente à operação de uma retroescavadeira os comandos básicos de aceleração, frenagem e joystick de controle da caçamba frontal. É muito próximo dos veículos de passeio adaptados, mas há funções adicionais que requerem maior intervenção do operador.

Agora que tivemos essa recepção acalorada, que nos mostrou a certeza de estarmos no caminho certo, iremos nos reinventar e apresentar uma versão ainda mais inclusiva, e por que não abranger pessoas com deficiência visual?

[Autonomia] As inovações apresentadas pelas marcas New Holland Construction e CASE durante a feira M&T 2018, não são autônomas, ainda.

Diferentemente de aplicações agrícolas e de mineração, onde os movimentos/deslocamentos são mais repetitivos e lineares, as máquinas de construção apresentam uma “interação” única e diversificada com o solo, o que demanda uma série de decisões em sequência. Portanto, neste momento, nosso foco é conectar pessoas às máquinas e ambos aos nossos times de Engenharia e Pós-Vendas, criando uma grande sinergia capaz de potencializar ganhos. Tudo isso representa um passo rumo aos veículos autônomos.

 JCC – Sobre a redução de Consumo: conte sobre os ganhos?

Thiago – Inovação e Sustentabilidade estão diretamente relacionados e nos preocupamos muito com a abordagem TCO (Total Cost Ownership), o que representa o custo total desde a aquisição da máquina, passando pelos custos de operação (como combustível) e até mesmo descarte de alguns componentes. Dentro dessa abordagem focamos principalmente na redução de consumo de combustíveis e temos um grande parceiro nessa jornada: motores FPT, que também apresentam uma estrutura de inovação capaz de entregar melhorias contínuas.

Medições de consumo de combustível são realizadas em todos os mercados globais e nas mais diversas aplicações, de modo que coletamos todos esses inputs e aplicamos em novas tecnologias capazes de assegurar essa evolução.

JCC – Já há uma preocupação no uso de energias renováveis do ponto de vista da confecção de equipamentos… Se, como está à aceitação do mercado consumidor?

Thiago – A cada dia que passa, nos tornamos mais conscientes do nosso papel perante o planeta e isso gera essa maior responsabilidade e busca por tecnologias mais sustentáveis. É por isso que a bandeira da Sustentabilidade é tão presente e inerente ao nosso DNA de Inovação.

O mercado consumidor está atento a essas movimentações e cada avanço ajudará na criação de um novo conceito de operações de máquinas de construção, de modo a desenvolvermos uma visão mais holística.

JCC – E por falar em consumo, os financiamentos como Pronamp, Finame
Agrícola e Finame TLP, por meio do banco CNH Industrial e por
meio do Consórcio New Holland estão facilitando a aquisição das máquinas da New Holland e CASE?

Thiago – O Banco CNH Industrial é de crucial importância para os financiamentos a nossos clientes, principalmente frente às incertezas econômicas que persistem no país, ano após ano.

O nosso banco consegue oferecer taxas de mercado muito atrativas e ainda tem a grande vantagem de conseguir entender as especificidades dos negócios de nossos clientes. Desta forma, somos mais assertivos e criamos uma parceria de longo prazo, em detrimento da tradicional abordagem de somente pagar parcelas de financiamento.

 

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