Temer, e agora?

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Da Redação

Janeiro, 2017 – Obras paralisadas, comércio parado, crise política, estados quebrados, prefeituras falidas e ainda, a Operação Lava Jato na caça dos corruptos envolvidos no desvio de bilhões de reais dos cofres públicos. Este foi o retrato do Brasil 2016.  Sem fôlego para sair desta crise histórica, o presidente Michel Temer ainda não apresentou soluções que façam setores empresariais e os 12 milhões de brasileiros desempregados acreditarem que 2017 será um ano fértil. O resultado é uma desconfiança geral de empresários, mercado financeiro e da população em todos os níveis.

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Até hoje milhares de trabalhadores doCOMPERJ-RJ,não receberam seus salários durante as obras do empreendimento petroquímico. Foto:JCC 

Por enquanto, Temer só afirmou que está fazendo reformas como disse em pronunciamento para jornalistas: “Sou o presidente das reformas”. O setor da Construção Civil deve ter ficado de cabeça quente, porque até agora a PPI não andou e as reformas trabalhistas são apenas caminhos e não fim. Lembrando que as reformas encaminhadas pelo atual presidente e equipe econômica irão à votação no Senado, ou seja, o governo pode sofrer uma derrota.

Os chamados investimentos estrangeiros não chegaram. O que se sabe é que sem transparência e clareza sobre os projetos de parcerias públicos privados (PPI´s), esses investimentos demoraram aparecer no cenário nacional. Para algumas empresas estrangeiras a situação atual e futura, ainda mostra cenários instáveis para grandes investimentos na economia brasileira, ou seja, sem segurança jurídica não há segurança econômica. E o efeito Donald Trump é uma interrogação mundial.

Segundo analistas econômicos, a previsão de melhora na economia brasileira, só em 2017(2º semestre) e 2018. De acordo com Raul Velloso, economista: “País que não existe política clara de investimentos não pode dá certo efetivamente”, falou o economista durante Fórum de Infraestrutura na FGV-RJ.   

Entre tantos setores produtivos em crise, o da construção civil, através de diversas entidades, como: Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC), Anamaco, Abramat, Clube de Engenharia, Federação Nacional dos Engenheiros   e sindicatos dos empregados da construção civil, tem feito ostensivas pressões junto ao governo federal para reverter o quadro negativo que assola a economia nacional, em especial, o setor da construção, que já perdeu 600 mil empregos. São medidas, tais: acelerar o crédito imobiliário, melhorar o programa Minha Casa Minha Vida, FGTS para financiar infraestrutura, investimentos na área de saneamento, voltar com as obras paralisadas por todo país, aumentar a participação de pequenas e médias construtoras nas obras de infraestrutura e por fim aprovar somente projetos com eficiência e qualidade técnica.  

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Foto: JCC

Para sindicalistas, a crise provocada por desvios de bilhões de reais em diversas obras, como dos complexos petroquímicos do COMPERJ e Refinaria ABREU E LIMA, acabou gerando um efeito dominó por todo o Brasil. Milhares de trabalhadores ficaram sem seus empregos e salários.   

Já João Batista, Encarregado de Elétrica, que trabalhou na construção de um novo hotel erguido na região da Lapa-RJ, e há mais de 20 anos atua profissionalmente em obras nas cidades de São Paulo e Rio, diz: “Nunca passei uma situação como essa na construção civil. O patrão cortou até as horas extras. Quem tem seu emprego, que dê jeito de segurar. O futuro está incerto”, comentou o Encarregado de Elétrica.

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