Perspectivas 2020: pandemia e plano de contingência para indústria do cimento

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Os meses de janeiro e fevereiro registraram queda nas vendas de cimento em razão das fortes chuvas que atingiram o Sudeste e Nordeste do país, com mais força em São Paulo e Minas Gerais, regiões com alto consumo de cimento. Apesar dos números negativos, o que se observou foi um represamento das compras nos diferentes consumidores do produto, como construtoras, autoconstrução e o segmento industrial. Isso permitiu à indústria traçar uma expectativa de vendas bastante otimista para março, o que e de fato aconteceu, mas apenas nos primeiros quinze dias do mês.

A partir da segunda metade do mês de março, se verificou uma forte retração no consumo, causada, principalmente, pelas restrições de circulação e na abertura de lojas de materiais de construção, além da redução no ritmo das obras por conta da limitação do transporte público, de comércios e serviços de suporte próximos as construções.

Com isso, a venda de cimento em março teve idêntico volume na comparação com o mesmo mês do ano passado e recuou 0,5% sobre fevereiro deste ano. Em termos nominais, em março foram vendidas 4,1 milhões de toneladas e no trimestre, 12,6 milhões de toneladas – queda de 0,3% em relação ao mesmo período de 2019 (janeiro a março).

Nas vendas de cimento por dia útil, melhor indicador do setor, o impacto foi significativamente maior. Foram registradas queda de 10,4% na comparação com março de 2019 e de 15% em relação de fevereiro deste ano. Já no trimestre o recuo foi de um 1,8%.

Análise Regional

Com referência ao mês de março, as vendas nas regiões Norte, Nordeste, Centro Oeste e Sul registraram importante redução de, respectivamente, 9,2%, 2,6%, 4,8% e 4,3%. Por outro lado, na região Sudeste, houve aumento de 4,6%, fortemente impulsionado por edificações residenciais que vem sendo o grande vetor de consumo da indústria do cimento desde 2019.

“A Indústria do Cimento está focada em 3 prioridades: assegurar a saúde e segurança de seu trabalhador e daqueles que integram a cadeia produtiva da atividade; garantir o fornecimento do produto cimento diante da demanda do país e da construção civil e a manutenção das atividades da indústria como forma de geração de emprego, renda e desenvolvimento do país”, comenta Paulo Camillo Penna – Presidente do SNIC.

Informações detalhadas

Perspectivas

A indústria do cimento fechou 2019 com um crescimento de 3,5%, depois de quatro anos consecutivos de retração, 2015 a 2018. No entanto, há de se ponderar que este aumento se deu em comparação ao fraco ano de 2018, o pior volume de vendas da série histórica de quatro anos de queda.

O cenário projetado para 2020, até março, era promissor. Indicadores macroeconômicos, o movimento do setor imobiliário, em expansão em diversas regiões do país, e o aumento da massa salarial davam sinais de que a tendência de crescimento se manteria, permitindo assim uma projeção do SNIC acima de 3% no consumo para este ano.

Neste aspecto, importante ressaltar que em razão do efeito da pandemia, se verificou a desmobilização, o distanciamento social e de fortes medidas de restrição de comercialização de materiais de construção por parte dos estados, afetando o desenvolvimento da atividade da construção civil e consequentemente a indústria do cimento.

Ademais faz-se crucial que as medidas de oferta de crédito realizadas pelo Ministério da Economia cheguem àqueles cuja demanda é emergencial. O que se verifica é que a concessão do crédito pelos agentes financeiros está com taxas e exigências descabidas para o momento. Com isso, os recursos não chegam a quem dele necessita, agravando o problema de escassez de crédito (historicamente uma realidade no Brasil).

É fundamental que a política estruturada com a finalidade de levar liquidez à economia seja consumada, sob pena de causar irremediáveis danos a atividade do cimento e a sua cadeia produtiva, causando incapacidade de recuperação e fechamento de empresas, como fornecedores de insumos, varejistas e distribuidores de cimento. Esta liquidez é fundamental para manter a saúde da economia brasileira.

Do ponto de vista do setor, prevendo uma queda ainda mais acentuada para os próximos meses, a Indústria do Cimento tem estudado e desenvolve planos de contingência para a minimização de impactos na cadeia produtora. São elas:

  •  Aumento e incremento nas orientações preventivas e nos treinamentos de cuidados sanitários, saúde e bem estar dos trabalhadores e seus familiares;
  •  Ampliação das ações de comunicação dirigida a todos os integrantes da cadeia produtiva da indústria do cimento com foco na prevenção sanitária do coronavirus;
  • Antecipação da manutenção preventiva para o período de combate ao coronavírus, o que vai permitir uma retomada ainda mais forte, pós crise;
  • Manutenção dos postos de trabalho, implementando as medidas adotadas pelo Governo, férias coletivas e banco de horas, entre outras alternativas;
  • Aceleração de programas de inovação, qualidade e produtividade da indústria do cimento, com ênfase em combustíveis alternativos e coprocessamento.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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