O Instituto Europeo di Desing IED- (BR), debate sobre integralização de cidades, cidadãos e suas respectivas ações com focos resilientes.

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Por Pablo Marlon 

Resiliência palavra tema do encontro SMART CITIZENS, RESILIENT CITIES (“Cidades Resilientes, Cidadãos Inteligentes”). No antigo Cassino da Urca, hoje, uma instituição europeia, recebeu um evento que contou com representantes de diversos países da Europa e convidados brasileiros. O objetivo do encontro foi mostrar através das experiências dos debatedores, ações de integralização que beneficiaram moradores locais, junto as suas cidades e que melhorou de forma coletiva o cotidiano local.

Consul-geral Arjer Uijterlinde
Consul-geral Arjer Uijterlinde. Créditos: Maarten Zeehandelaar

Países como Holanda, Brasil,  Suíça e Portugal apresentaram ações locais visando à importância dos cidadãos na construção de cidades participativas. Mas o que há de tão importante nessa palavra e nas ações que a envolve?  Se tratando do que a palavra significa, é a capacidade de superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas – stress, choque, caos-, sem entrar em surto psicológico. Ampliando a visão sistêmica da palavra, em ambientes coorporativos há outro olhar: a tomada de decisão, uma vez que o clima organizacional encontra-se tenso. E por falar em Instituições, tiveram presentes o Consulado holandês e o Dutch Culture (NL), (os financiadores), IED, Olabi, FGV-DAPP, Swissnex e diversas outras. 

O tema debatido, já é algo presente no cenário holandês e outros países europeus. Neste semestre, a Holanda está na presidência da União Europeia e o consulado tem presenteado os cariocas e fluminenses com algumas ações que geram a troca de experiências. 

E que ganhamos com encontros como esses? A experiências de países mostrando ações que deram certo em áreas como: políticas inclusivas, sustentáveis, econômicas, através da troca do diálogo, experiências e visões peculiares.

Para que exista um cidadão integrado com a sua cidade é fundamental ferramentas para viabilizar a interação com gestores sociais, ambientais e, principalmente o político.  Aliás, essa é a base para um processo construtivo de tomada de decisão com caráter inclusivo, que contribui para o desenvolvimento sustentável.

Quem deu as boas vindas aos convidados das “Cidades Resilientes, Cidadãos Inteligentes”, foi o Arjen Uijterlinde, cônsul-geral da Holanda.

“Este é um tema abrangente e global. A cidade do Rio de Janeiro precisa aprender a lidar com a resiliência e o cidadão é fundamental nesse processo”, destacou o cônsul-geral.

Opiniões a parte, o cidadão carioca, de certa forma, até sabe ser resiliente… Quem precisa aprender são os políticos.

Na oportunidade ele destacou também importância do seu país estar na presidência da UE e usar esse momento para se conectar com o Rio.

Já para Ham Peters, embaixador da Holanda no Brasil, a tecnologia hoje em dia é uma ferramenta de otimização de tempo e trabalho.

“Hoje, temos a tecnologia nas palmas das mãos e podemos nos tornar cidadãos inteligentes”, ressaltou o embaixador Holandês. 

Segundo a Ministra-Conselheira da UE para o Brasil, Claudia Gintersdorfer, é um tema inspirador que mostra que nem sempre o mais forte vence e o mais fraco perde. “A União Europeia apoia a energia sustentável e a redução de CO2 na Europa”.     

Panel 2 - Mark,Vand der Net Marco Contardi, Ricardo Ruiz, Clarisse Linke e Luciana Nery
Painel 2 – Mark,Vand der Net Marco Contardi, Ricardo Ruiz, Clarisse Linke e Luciana Nery. Créditos: Maarten Zeehandelaar

No Brasil já surgem projetos inteligentes como os painéis solares em Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e Sorocaba (SP). Em 2017, novas cidades estarão no projeto. “Vencem aqueles que se adaptam e mudar os hábitos é um importante desafio para o futuro”, é a perspectiva de Claudia Gintersdorfer.

A Suíça contribuiu com uma política de consumo consciente. Quem falou pelo país foi Tina Billeter – consultora de sustentabilidade e membro do serviço ambiental e de proteção à saúde da cidade de Zurique -, ela apresentou o projeto “Sociedade 2000 Watts”, cuja meta é reduzir o consumo de 5000 watts para 2000 watss de energia consumida por pessoa, até 2030.

Os lusitanos formam representados por Catarina Selada, chefe do departamento de cidades na INTELI Innovation Centre. Selada conta que em Portugal a maioria das prefeituras colabora com a resiliência e lidera os movimentos para o futuro.  “Há cidades que usam seus espaços para testarem a resiliência e compartilham as experiências e resultados”, diz a portuguesa.

Com o projeto InCiti, o pernambucano Ricardo Ruiz tem como objetivo catalisar conhecimentos e conceber soluções colaborativas para constituir cidades inclusivas, sustentáveis e felizes.

Há outros projetos que se destacam: Cidades Sensitivas – que discute com a sociedade a utilização dos espaços públicos como locais de expressão, dinâmicas sociais e experimentação das políticas públicas -, o desdobramento do projeto acima se chama LabCeus – Laboratório das Cidades Sensitivas usando a tecnologias em espaços públicos e outros como: Parque do Capibaribe, a Face Noturna da Cidade e Espaço Contra o Crime.

OSCity, projeto de que utiliza as redes sociais como forma de interativa foi apresentado por Mark Van der Net,  O holandês, conta que o uso da tecnologia e das redes sociais é importante para a convivência das pessoas. Conectar as pessoas é fundamental. “As cidades precisam ser menos técnicas e se construir a partir do desejo das pessoas”, conta Mark.

A Fundação Getúlio Vargas contribuiu com o seu FGV Projeto que trouxe para a discussão interrogações como: de que forma compor setor público e privado?  Como podemos nos transformar? Qual seria o real papel do setor público? Essas provocações foram colocadas por Marco Contardi.

Para ele há necessidade de uma governança e todos são responsáveis. “A necessidade do desempenho técnico dos habitantes e do surgimento dos novos mercados e modelos estratégicos. Todos estes pontos são responsáveis pela transformação do pensar e agir da sociedade e instituições públicas e privadas”, afirma Contardi.

Choloe Dickson, co-fundadora do BeMap, – dispositivo lâmpada de bicicleta com GPS de rastreamento e sensores que medem a poluição ao longo de sua rota de ciclismo-,   trouxe sua experiência para melhorar os caminhos dos ciclistas brasileiros.

Segundo ela, os ciclistas podem coletar dados sobre seus arredores, a fim de escolher o seu caminho para trabalhar de acordo com os valores de poluição. E o melhor é saber que esse disposto já vem sendo testado no Rio de Janeiro e São Paulo. “Pedalar é uma delícia, além de sustentável”, disse Chloe. 

Outro brasileiro que apresentou uma ótica peculiar sobre futuro foi o Bruno Cecchettim da Enel Brasil. A empresa que está em mais de 30 países, tem como o sol a sua principal fonte de recurso sustentável.

“A energia solar é a solução da energia limpa para o futuro. Projetos estão sendo testados: carros elétricos, bicicletas elétricas que foram doados para as prefeituras e, até, barcos elétricos. Todos, logicamente, sendo recarregados pela luz solar”, afirmou o chefe de inovação da Enel Brasil.

A iniciativa do encontro é enriquecedor para todos aqueles que gostam de manter grata, a cidade em que vivem. O evento deve viabilizar parcerias futuras e a participação em programas bi e multilaterais com a Holanda (país que promoveu o encontro) e outros países europeus. Há um propósito da continuidade do encontro no do Rio de Janeiro.

Assim, talvez, prefeitura e governo do rio aprenda com esse intercâmbio, evitar erros já conhecidos e aprimorar práticas já estabelecidas. 

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