Moradia popular: qualidade de projeto arquitetônico, de paisagismo e urbanístico é diferencial de projetos em SP

Imóveis com 53m² para famílias com renda entre um e seis salários surpreendem com características raras em moradias populares

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Janeiro, 2022 – Um total de 2.760 apartamentos serão erguidos na cidade de São Paulo, especificamente nos bairros da Mooca e Anália Franco, a partir de concepções arquitetônicas, urbanísticas e de paisagismo diferenciadas, principalmente no que tange aos padrões verificados em moradias populares. São unidades com até 53m², voltadas às famílias com faixa de renda entre um e seis salários, que têm enquadramento nos programas habitacionais da Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab).

“Os projetos realmente diferem do que estamos acostumados quando falamos de habitação popular”, confirmam os arquitetos da Consultoria Ambiental Paisagística (CAP), Elaine Biella e Sidney Linhares, autores do projeto paisagístico dos empreendimentos na Mooca. “A qualificação da área se dará, por exemplo, com a proposta de plantar árvores nativas em detrimento das exóticas, o que é positivo do ponto de vista ambiental, e com a criação de um circuito guiado com identificação das espécies mais significativas, com objetivo de educação ambiental para crianças e adultos”.

Perspectiva TEEN Imobiliário | Divulgação

Os projetos de implantação, fachadas e interior dos empreendimentos têm exatamente no paisagismo um diferencial importante. Em um dos complexos serão plantadas 96 árvores e doadas duas mil mudas, como compensação de impacto ambiental, além do aproveitamento da vegetação de maior porte, o que determina a proteção das edificações em relação ao ruído urbano.

Conforme os paisagistas, trata-se de preservar e aperfeiçoar áreas verdes, “respeitando o espaço a partir das expectativas dos moradores da região e inserindo equipamentos como bancos, mesas de jogos de tabuleiro e até brinquedos com múltiplas atividades”, acrescentam. “E, nas áreas privadas, ampliamos espaços e buscamos criar uma integração com as áreas externas dos condomínios para estimular o convívio e melhorar a qualidade de vida”.

Perspectiva TEEN Imobiliário | Divulgação

Os condomínios terão infraestrutura de serviços por edifício, como área comercial no térreo e para os moradores conjunto de elevadores, área para delivery, salão de festas, jardim, playground, área externa para convivência. “É importante entender que os imóveis são subsidiados e as pessoas têm aspirações e merecem morar muito bem”, acrescenta a sócia da Piratininga Arquitetos Associados, Renata Semin, da equipe que desenvolve os projetos de boa parte dos empreendimentos da Teen Imobiliário, a construtora responsável pelas unidades na Zona Leste de São Paulo.

“Pensando no morar contemporâneo, inclusive a partir da pandemia da Covid-19, ficou evidente a importância de um espaço destinado ao trabalho e ao estudo no interior do apartamento”, diz Semin. O também arquiteto e sócio da Piratininga, João Paulo Tavares Beugger, aponta que a qualidade da arquitetura com diversidade de tipologias e o uso público dos espaços privados se faz por meio dos jardins e das lojas no térreo dos edifícios. “Os empreendimentos privilegiam as conexões para pedestres entre as ruas do bairro, tendo o Parque da Mooca como ponto focal importante no contexto urbano em que os condomínios se inserem”, lembra ele. “O projeto foi desenhado contemplando a multiplicidade de usos para trazer qualidade de vida para o empreendimento e para os moradores do bairro de hoje e do futuro”.

Três dos quatro complexos estão ao redor do Parque da Mooca, o que duplica a possibilidade de vivência com o verde por meio do acesso ao paisagismo e ao parque. “Os projetos atendem às melhores práticas do ecossistema de cidades, inclusive do conceito de cidade com mix de usos, nas quais a mobilidade ativa e o acesso à infraestrutura de transporte já em operação são priorizados”, complementa o arquiteto e diretor da Teen Imobiliário, Gustavo Partezani.

A PPP da Habitação

O projeto arquitetônico e paisagístico para os apartamentos populares nos bairros da Mooca e Anália Franco se tornou realidade graças à primeira parceria público-privada (PPP) municipal de habitação do país, com foco em erguer 25 mil moradias em diferentes regiões da cidade. O processo de implantação da PPP se caracteriza pela utilização dos terrenos públicos bem localizados, mas que estão subutilizados; pela eficiência do processo construtivo; preservação ambiental e modelagem de financiamento facilitada.

A Sociedade de Propósito Específico (SPE) TEEN Imobiliário, formada pela Telar Engenharia e pela Engeform Engenharia, é a responsável pelas unidades habitacionais nos dois bairros da Zona Leste. Na Mooca e no Anália Franco o investimento será de R$ 400 milhões e o projeto tem, também, a função de inserir pessoas em áreas da cidade com mais ofertas de transporte e de emprego. Outro aspecto importante para a viabilidade do projeto é a modelagem de financiamento: a Teen orientará as famílias na obtenção do crédito junto à Caixa Econômica Federal e fará a gestão condominial e a manutenção por até 20 anos.

Com um déficit habitacional de 5,9 milhões de domicílios, de acordo com dados da Fundação João Pinheiro, o Brasil tem um longo caminho para resolver o problema da falta de moradia, principalmente nos grandes centros urbanos. A capital paulista contabiliza déficit de 474 mil domicílios, segundo dados da administração municipal.

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