Estudos do Sinduscon-MG apontam queda da confiança dos empresários, aumento do custo de construção e redução do índice de emprego no setor

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Junho, 2018 – O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) recuou pelo terceiro mês seguido ao passar de 49,4 pontos em abril para 46 pontos em maio, o que correspondeu a queda de 3,4 pontos. O indicador apontou falta de confiança dos empresários, ao ficar abaixo da linha de 50 pontos – valor que separa a confiança da falta de confiança.

Estudos do Sinduscon-MG apontam queda da confiança dos empresários. Divulgação

O resultado foi 3,2 pontos inferior ao apurado em maio de 2017, interrompendo uma sequência de 24 meses de melhora na comparação anual, e ficou abaixo da sua média histórica (49,8 pontos) pelo segundo mês consecutivo. No acumulado dos primeiros cinco meses do ano o Iceicon-MG acumulou queda de 5,3 pontos, sendo que o resultado de maio foi o pior dos últimos nove meses. O Iceicon nacional também registrou redução entre abril e maio (53,8 pontos).

Os dois componentes do Iceicon-MG condições atuais e expectativas – explicaram o recuo do indicador. Os índices variam de 0 a 100 pontos e valores abaixo de 50 pontos indicam situação pior e expectativa negativa, respectivamente.

O índice de condições atuais, que mede a percepção dos empresários com relação à situação atual dos negócios, recuou 2,3 pontos, passando de 44,2 pontos, em abril, para 41,9 pontos, em maio. O indicador foi 1,5 ponto inferior ao registrado em maio de 2017, descontinuando uma sequência de 22 meses de melhora na comparação anual. O índice está abaixo de 50 pontos desde novembro de 2012 e o resultado de maio é o pior desde agosto de 2017.

O componente de expectativas, que sinaliza as perspectivas dos empresários para os próximos seis meses, caiu 3,7 pontos frente a abril, e registrou 48,2 pontos em maio. O indicador mostrou pessimismo dos construtores, após oito meses de resultados acima de 50 pontos, e foi 3,9 pontos inferior ao apurado em maio de 2017.

Sobre o Iceicon-MG – O Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (ICEICON-MG) é elaborado pela Gerência de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais(FIEMG) em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais(Sinduscon-MG).

Sinduscon-MG

CUSTO DA CONSTRUÇÃO (CUB/m²) EM BELO HORIZONTE AUMENTOU 0,17% EM MAIO/18

Depois de registrar aumento de 1,45% em abril, em função da elevação do custo com a mão de obra, em maio/18 o Custo Unitário Básico de Construção (CUB/m² – projeto-padrão R8-N) registrou alta de 0,17%. Dentre os seus componentes observou-se que somente o custo com material aumentou em maio: 0,44%, enquanto mão de obra, despesas administrativas e aluguel de equipamentos permaneceram estáveis.

O custo do metro quadrado de construção em Belo Horizonte, para o projeto-padrão R8-N (residência multifamiliar, padrão normal, com garagem, pilotis, oito pavimentos-tipo e três quartos) que em abril/18 era R$1.358,47 passou para R$1.360,82 em maio/18. O CUB/m² é um importante indicador de custos do setor e acompanha a evolução do preço de material de construção, mão de obra, despesa administrativa e aluguel de equipamento. É calculado e divulgado mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG) conforme a Lei Federal 4.591/64 e de acordo com a Norma Técnica NBR 12721:2006 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

Na composição do CUB/m² (projeto-padrão R8-N) a mão de obra representou, em maio, 56,19% do custo, os materiais de construção responderam por 39,53% e as despesas administrativas/aluguel de equipamentos foram responsáveis por 4,28%.

Entre os materiais que apresentaram aumento em seus preços em maio/18 destacaram-se: emulsão asfáltica impermeabilizante (+6,80%), fio de cobre antichama (+2,75%), porta interna semi-oca para pintura (2,36%) e esquadria de correr (+1,17%).

O coordenador sindical do Sinduscon-MG, economista Daniel Furletti destaca: “Estamos acompanhando com muita preocupação o aumento que começou a acontecer com mais intensidade nos materiais de construção. As justificativas para isso têm sido o aumento do frete. A Construção não pode ser ainda mais penalizada do que já está sendo. O setor, que responde por mais de 50% dos investimentos do país e é um grande gerador de mão de obra, depois de registrar queda superior a 20% nos últimos quatro anos, iniciou 2018 com redução em suas atividades. Na comparação do primeiro trimestre de 2018 com o último trimestre de 2017, a queda observada em seu Produto Interno Bruto (PIB) foi de 0,6%, enquanto a economia nacional registrou resultado positivo (+0,4% nesta mesma base de comparação). As projeções de crescimento para a Construção, que no início do ano eram de 3%, agora são de crescimento bem mais modesto:0,5%. Portanto, o setor, que é o motor para impulsionar o desenvolvimento sustentado da economia, não tem como absorver aumentos de insumos especialmente num momento em que suas atividades ainda estão enfraquecidas. Isso é uma grande preocupação e estamos monitorando”.

Acumulado no período de janeiro a maio/18 – Nos primeiros cinco meses do ano o CUB/m² (projeto-padrão R8N) registrou alta de 2,27%. Já o custo com material aumentou, neste período, 1,66% e o custo com a mão de obra 2,53%. O custo com a despesa administrativa cresceu 4,79% enquanto o custo com aluguel de equipamentos ficou estável. Os materiais que registraram as maiores elevações de preços foram: esquadria de correr (+15,04%), emulsão asfáltica impermeabilizante (+11,30%), cimento CP 32 (+10,71%) e fio de cobre (+9,60%).

Acumulado nos últimos 12 meses (junho/17 – maio/18): Nos últimos 12 meses o CUB/m² (projeto-padrão R8-N) registrou alta de 3,02%, o que foi reflexo das seguintes variações: 3,25% no custo com material de construção, 2,53% no custo com a mão de obra, 7,33% nas despesas administrativas e 7,20% no aluguel de equipamentos. Os materiais que apresentaram maiores elevações em seus preços nos últimos 12 meses foram: esquadria de correr (+19,12%), fio de cobre antichama (+15,77%), porta interna semi-oca para pintura (+12,58%), emulsão asfáltica impermeabilizante (+12,24%), tinta PVA látex (11,35%) e disjuntor tripolar 70 A (+11,31%).

Resultado do CUB/m² desonerado

O CUB/m² desonerado aumentou 0,18% em maio/18, acumulando alta de 2,93% nos cinco primeiros meses do ano e 3,73% nos últimos 12 meses (jun/17-maio/18).

A metodologia de cálculo do CUB/m² e do CUB/m² desonerado é a mesma, ou seja, ambos seguem as determinações da Lei Federal 4.591/64 e da ABNT NBR 12.721:2006. A diferença encontra-se no percentual de encargos sociais incidentes sobre a mão de obra. No CUB/m² que não considera a desoneração da mão de obra, os encargos previdenciários e trabalhistas (incluindo os benefícios da Convenção Coletiva de Trabalho) totalizam 188,16%. Já no CUB/m² desonerado, os encargos previdenciários e trabalhistas (também incluindo os benefícios da Convenção Coletiva) somam 157,69%.

ATIVIDADE DA CONSTRUÇÃO PERMANECEU FRACA, DE ACORDO COM A SONDAGEM DA INDÚSTRIA DA CONSTRUÇÃO DE MG

Os indicadores da Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais continuaram registrando queda da atividade e do número de empregados em abril, com índices abaixo de 50 pontos – valor que separa recuo de aumento. Os resultados, inferiores aos apurados há um ano, continuam refletindo as dificuldades para recuperação que o setor vem enfrentando.

Em maio, os empresários esperavam uma evolução favorável da atividade, dos novos empreendimentos e serviços e, consequentemente, pretendiam aumentar a compra de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses, apesar de estimarem recuo do número de empregados no curto prazo. Vale ressaltar que o índice de intenção de investimento voltou a registrar queda em maio, ficando abaixo de sua média histórica (30,3 pontos).

Desempenho da indústria da construção mineira – Em abril o índice de atividade da Construção ficou estável em relação ao apurado em março, registrando 43,0 pontos. O resultado revelou queda da atividade, ao permanecer abaixo da linha de 50 pontos (que separa recuo de expansão), comportamento observado desde novembro de 2012. Adicionalmente, o índice foi inferior ao de abril de 2017 (47,7 pontos) e ficou abaixo de sua média histórica (44,5 pontos).

O indicador de nível de atividade em relação ao usual registrou 27,1 pontos – valores abaixo de 50 pontos mostram atividade inferior à habitual para o mês. O índice recuou 2,8 pontos em relação a março e caiu 4,1 pontos frente a abril de 2017.

O indicador de número de empregados apontou retração do emprego, ao marcar 43,3 pontos. O índice ficou 5,4 pontos abaixo do registrado em abril de 2017 (48,7 pontos).

Expectativas da indústria da construção mineira – Os índices de expectativa demonstram a percepção dos empresários com relação à evolução do nível de atividade, dos novos empreendimentos e serviços, da compra de insumos e matérias-primas e do emprego para os próximos seis meses. Valores acima de 50 pontos indicam expectativas de crescimento.

O dado referente a maio apontava expectativa de elevação do nível de atividade (51,5 pontos) pelo quinto mês consecutivo. O indicador cresceu 4,1 pontos frente a maio de 2017 e foi o maior para o mês em seis anos.

O indicador relativo à compra de insumos e matérias-primas marcou 50,9 pontos em maio. O índice, 0,9 ponto superior ao de abril e 4,4 pontos maior que o de maio de 2017, foi o mais elevado para o mês em seis anos.

O indicador de expectativa de novos empreendimentos e serviços (50,9 pontos) cresceu 0,7 ponto na comparação com abril. O índice aumentou 1,4 ponto frente a maio de 2017 e foi o melhor para o mês em cinco anos.

Os empresários da Construção continuaram estimando recuo do número de empregados nos próximos seis meses, conforme indicador de 49,1 pontos. O resultado, entretanto, foi 0,6 ponto superior ao de maio de 2017 e o maior para o mês em quatro anos.

Intenção de investimento – O índice de intenção de investimento recuou 2,5 pontos entre abril (30,7 pontos) e maio (28,2 pontos), sinalizando menor disposição de investir dos empresários da Construção. Com o resultado, o indicador voltou a ficar abaixo da sua média histórica (30,3 pontos). A série teve início em novembro de 2013, e atingiu seu patamar mais elevado em maio de 2014 (47,3 pontos). O índice varia de 0 a 100 pontos, e, quanto maior o valor, maior é a intenção de investir.

Sobre a Sondagem – A Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais é elaborada pela Gerência de Estudos Econômicos da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG)..

Fonte: Imprensa/Sinduscon-MG

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