Em tempos de crise, sindicato da região sul fluminense organiza mapa para identificar índices de desemprego nos municípios de Resende, Itatiaia e Porto Real.

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Por Pablo Marlon

Com os números do desemprego batendo recorde de demissões por todo o país, cidades do interior do Rio têm enfrentado momentos difíceis em 2016. É o caso dos municípios de Resende, Itatiaia e Porto Real, que vive o problema de grandes lojas do ramo varejistas reduzindo seus quadros de funcionários e algumas fechando suas filiais, como, Casas Bahia, Lojas Cem, Lojas Americanas entre outras.

Grandes lojas varejistas sentem a crise no comércio sul fluminense. Foto: SECRIPR

De acordo com a Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC), em 2015 foram fechados 100 mil lojas e cortadas 180 mil vagas de emprego no Brasil.

Para atenuar este cenário, o sindicato do empregado do comércio da região sul, está promovendo de acordo com os indicadores de demissões, homologações e rescisões, cursos de capacitação profissional com o objetivo de preparar os trabalhadores para novas oportunidades de empregos.

Em entrevista concedida para o site do Jornal da Construção Civil, o diretor do sindicato dos empregados do comércio de Resende, Itatiaia e Porto Real, Marco Aurélio Ribeiro fala das atuais medidas adotadas pela entidade na região sul fluminense.   

JCC – Como tem sido essa sondagem e de que forma está sendo aplicado na elaboração do mapa de empregabilidade/rotatividade dos empregos nas cidades aonde o sindicato atua?

Marco Aurélio Ribeiro – Sindicato – Na realidade utilizamos esses dados internamente, pois não somos capacitados para elaborar esses tipos de análises, uma vez que só temos os números de pessoas demitidas ou que pedem demissão e com mais de um ano de carteira assinada. A pesquisa não aborda os trabalhadores com menos de um ano e os que estão na informalidade.

JCC – Dentro desse cenário negativo, lojas fechando, muitas pessoas perdendo o emprego no comércio, como o sindicato tem ajudado a diminuir essa situação?

Marco Aurélio Ribeiro – Sindicato – Temos atuado de forma muito positiva na capacitação de nossa categoria e também no apoio que prestamos aos empregadores que nos procuram. Sempre orientando de forma justa e participativa para que não se crie passivos trabalhistas desnecessários.

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Funcionária do sindicato fazendo levantamento do desemprego na região. Foto: SECRIPR

JCC – Essa sala de treinamento profissional para os comerciários são oferecidos quais cursos de capacitação?

Marco Aurélio Ribeiro – Sindicato – A Sala de Capacitação foi inaugurada em março de 2015 e é destinada a todos os trabalhadores da região que a entidade abrange e do Sul Fluminense. O espaço está localizado na sala 511, do quinto andar do Resende Shopping, na Avenida Abel Rodrigues Pontes, no Centro de Resende. No espaço já oferecemos os seguintes cursos: Atendimento ao Cliente, Técnicas em Vendas, Negociação e Marketing Pessoal.

JCC – O sindicato tem se reunido com entidades empresárias e governo na possibilidade de todos juntos rever este momento triste da economia do estado e dos muitos municípios fluminenses?

Marco Aurélio Ribeiro – Sindicato – Infelizmente não. Nesse momento o que vemos é um individualismo muito forte onde a máxima é “Farinha pouca… meu pirão primeiro…”. A sociedade de um modo geral está muito preocupada em se salvar e esquece do coletivo. Como exemplo: “posso citar o caso da crise política onde a maioria pensa que a responsabilidade é de só um partido e acredita firmemente que se esse partido for tirado o problema está resolvido”.

JCC – Durante muito tempo, municípios da região dos lagos e norte fluminense estiveram “surfando” na bonança do petróleo. Muitos desses municípios prosperam em diversos setores. Entretanto com a queda do preço do barril – de U$ 120,00 para U$ 29,00, a região sofreu impacto drástico nas suas receitas municipais e está um caos administrativo. Parece que Resende, Itatiaia e Porto Real, são municípios que não estão com este problema de caixa. Para o sindicato, qual caminho que esses municípios do sul fluminense podem apontar para que também não entrem neste quadro terrível econômico?  O turismo, por exemplo, gera muito emprego no comércio.

Com a crise, ruas do centro comercial de Resende tem tido poucos consumidores. Foto: SECRIPR

Marco Aurélio Ribeiro – Sindicato – O Turismo sem dúvida é uma excelente saída, pois estamos falando de prestação de serviço e o consumidor, quando um serviço é bem prestado, cria uma fidelização, mas para o comércio tirar proveito disso será preciso adotar práticas diferentes do que hoje existe. Entre vários pontos posso citar o do salário: Geralmente o empregador quer o melhor funcionário possível que atenda bem e esteja sempre disposto à atender o consumidor. No entanto, na hora de remunerar quer pagar o mínimo possível e quer logo saber: “Qual é o piso da categoria?”.

JCC – Qual mensagem que o Sindicato dos empregados do comércio de Resende, Itatiaia e Porto Real deixa nesse momento? 

Marco Aurélio Ribeiro – Sindicato – Desejamos que esse seja um canal de comunicação forte entre as entidades representativas e que possamos trazer para os nossos representados boas notícias.

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