Desastre Ambiental: 1 ano da tragédia em Brumadinho

Os sonhos dos agricultores familiares da região ainda estão enterrados na lama

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Janeiro, 2020 – Perder tudo em um piscar de olhos, ver seus sonhos sendo enterramos em um rio de lama e não ter condições de recomeçar: esse é um breve resumo da situação dos agricultores e agricultoras familiares da região atingida pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho/MG.

Após um ano do crime cometido pela Vale, quem produzia alimentos, comercializava a produção e vivia com qualidade de vida e boa renda, agora depende de um auxílio no valor de um salário mínimo para sobreviver e sem ter condições de recomeçar, de arcar com os compromissos e, tampouco, liquidar financiamento do crédito rural contraído para investir na produção agrícola.

O agricultor familiar Israel Nunes Barbosa, que teve a sua propriedade devastada pela lama tóxica, se encaixa nessa situação. “No dia 25, por volta de 12h30, 13h00, escutamos um barulho muito forte de pau quebrando, poeira levantando, foi aí que a gente percebeu que a lama já estava invadindo a nossa horta e a gente teve que sair correndo, todo mundo saiu gritando e, graças a Deus, a nossa família conseguiu se salvar. Mas, fomos afetados por esse crime da Vale, como todos os agricultores da região, pois dependemos da nossa terra para trabalhar e sobreviver. Não sabemos fazer outra coisa a não ser trabalhar na roça, na terra”.

Por conta da perda de toda a produção agrícola, Israel e a família estão endividados, pois não conseguem liquidar o financiamento do crédito do Pronaf. “Nós contraímos o crédito rural junto ao banco para investir na produção e, hoje, nos encontramos nessa situação: perdemos tudo, não temos condições de estar arcando com os nossos compromissos, bem como as demais famílias que também acessaram o Pronaf, temos contas para pagar e não temos condições para trabalhar. Onde a lama não invadiu, também perdemos tudo, pois não tem água e as bombas para irrigação ficaram debaixo da lama”, relata o agricultor, que completa: “Os nossos sonhos ficaram enterrados nessa lama.”

Leia a reportagem especial na íntegra sobre a situação dos agricultores e agricultoras familiares de Brumadinho no PORTAL DA CONTAG:

https://bit.ly/3aTQrwc

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