Demanda da arquitetura e urbanismo vai além do espaço

É preciso integrar espaço, políticas públicas e tecnologias disponíveis no panorama atual brasileiro

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Maio, 2019 – Quando se fala em arquitetura, de forma geral, logo vem à mente aquelas construções glamorosas que enchem os olhos com os detalhes. Porém, se você analisar, o luxo é a minoria num país como o Brasil, assim como na maior parte do mundo… Nessa realidade, o trabalho do profissional da arquitetura e urbanismo se torna ainda mais essencial, principalmente nas comunidades. “Não adianta fazer uma cidade em que só funcionam os bairros ricos, porque isso é ruim tanto para este público quanto para as áreas informais. Então, quando investimos nas favelas para que elas se tornem áreas formalizadas, com estruturas e serviços, não estamos só melhorando a vida daquela comunidade, mas da cidade como um todo”, ressalta o professor Pedro Henrique de Cristo, paraibano fundador do estúdio +D e coordenador do projeto @Brasil21.

Cristo é um dos convidados da 7ª Jornada de Arquitetura e Urbanismo da Unoeste, que traz como tema a dimensão política da arquitetura no panorama atual brasileiro. As atividades tiveram início na quarta-feira (8) e continuou até quinta-feira(10). No dia 09, o paraibano falou sobre políticas públicas nesta profissão. Ele também compartilhou um pouco de sua experiência nos Estados Unidos, quando fez seu mestrado na universidade de Harvard.

 

Segundo ele, a arquitetura, hoje, tem uma demanda muito urgente de ir além do espaço, em que não se pode mais pensar somente no objeto construído, mas na integração desse espaço com as políticas públicas existentes e com as tecnologias disponíveis. “O grande poder da arquitetura é a síntese, de misturar várias coisas para encontrar uma solução, e os principais desafios da humanidade são: desigualdade, mudança climática, urbanização, que são todos programas interdisciplinares. Então, ao mesmo tempo em que a arquitetura está mais relevante do que nunca para os outros meios, ela também é mais importante do que nunca para solucionar esses problemas”, afirma.

Globalmente, o paraibano comenta que uma das principais dificuldades deste profissional é integrar os conhecimentos de outras áreas na prática em arquitetura. “Aqui no Brasil, apesar de um grande talento das pessoas, a questão está em ter acesso aos melhores recursos para poder trabalhar, fazer pesquisas, desenvolver extensão e utilizar tecnologias de ponta. Quando você pensa nos principais softwares, o custo anual é por volta de R$ 3 mil, e isso é irreal para um estudante brasileiro. A competição com um estudante dos EUA ou europa é muito desleal, por outro lado, temos muito talento para superar essa diferença”.

Para esses futuros arquitetos e urbanistas, Cristo salienta que quanto mais problemas, mais oportunidades, “já que quando as coisas estão bagunçadas, aparecem brechas para inovar, na necessidade de resolver os problemas. No entanto, as soluções também são mais urgentes”. Segundo ele, muitas vezes, os profissionais que partem de origem mais humilde são os com maior possibilidade de inovação. “E isso não é porque tiveram acesso às melhores tecnologias e recursos, mas porque eles têm uma dimensão social mais forte para pensar nos desafios. Vemos isso no dia a dia de estudantes pensando em fazer, sim, prédios incríveis, mas que sirvam às pessoas, sobretudo às que mais precisam”, frisa.

Na quinta-feira (9), Cristo participou da Roda de Discussão “Desenvolvimento comunitário: desafios e oportunidades”, ao lado do arquiteto Ygor Melo, o qual estuda e desenvolve práticas profissionalizantes voltadas à Assessoria Técnica para Habitação de Interesse Social (ATHIS), junto à faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Desde 2018 atua como coordenador de Moradia e Habitat na Organização Social TETO, em São Paulo.

Jornada acadêmica

A coordenadora da graduação, Marcela do Carmo Vieira, destaca que todo o evento é organizado pelo Centro Acadêmico do Curso de Arquitetura e Urbanismo (Cacau), alunos que estão à frente da programação e que contam com apoio de professores. “Tudo foi pensado por eles e, a cada ano, somos surpreendidos. O contato com os convidados também é feito pelos acadêmicos e recebemos muitos profissionais de renome nacional. Fora que os estudantes preparam todo o salão, reproduzem as intervenções realizadas no curso e tornam o espaço ainda mais agradável. Nós, professores, ficamos muito orgulhosos com todo esse cuidado e dedicação dos alunos na realização da nossa jornada”, finalizou.

Fonte: Imprensa/ Unioeste

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