Brasil, na contra mão das energias renováveis

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Por Pablo Marlon

Rio, agosto, 2018 – O Brasil na contra mão do que é bom e barato, reduz danos ambientais, fortalece a mão de obra local, fortalece cadeias de negócios sustentáveis, além de gerar empregos em diversos setores e regiões, como, sul, sudeste, norte e nordeste. A energia renovável é tudo isso acima e poderia ser muito mais, se não fosse o governo brasileiro (controlador total), das políticas de desenvolvimento do setor energético nacional, que dificulta o setor, em desenvolver e promover no país ações de crescimento das novas matrizes energéticas, no caso da eólica, solar fotovoltaica, biogás e da biomassa.

Placa para geração de energia solar (João Allbert)

Essas novas fontes de energias condicionam excelentes oportunidades para o país. No caso da energia solar fotovoltaica, o Dr. Rodrigo Sauaia, CEO da ABSOLAR(www.absolar.org.br), diz: “O Brasil está 15 anos atrasado em comparação com os países desenvolvidos na área da energia solar fotovoltaica e, portanto, é necessária a estruturação de um programa nacional para o desenvolvimento do setor solar fotovoltaico brasileiro, tanto na geração centralizada quanto na geração distribuída, além de medidas que contemplem o avanço da cadeia produtiva do segmento”, comenta Rodrigo. Ainda, a ABSOLAR cobra do próximo presidente da república eleito:“ A criação de um programa nacional solar fotovoltaico, sinalizando à sociedade brasileira, ao mercado e ao setor que a fonte será parte estratégica da política de desenvolvimento do País. Para isso, propõe a incorporação pelos candidatos de uma meta de estado de atingir pelo menos 30 Gigawatts (GW) da fonte solar fotovoltaica na matriz elétrica brasileira até 2030” .

O modelo único de matriz elétrica centrado nas usinas termoelétricas e hidrelétricas que o Brasil adotou é caro, não reduz danos ambientais, pelo contrário (vide caso Belo Monte, Santo Antônio e Girau), não fortalece nenhuma cadeia produtiva de negócios sustentáveis, gera pouco emprego, endivida o cliente final(indústria, comércio e residências – consumidores), entre outros danos.

O grande problema que o setor atravessa: O governo federal é detentora das empresas que formam o Sistema Eletrobras(Furnas,CHESF, Eletronorte, Itaipu Binacional).  As Empresas Federais vendem energia elétrica, gerada por hidrelétricas e termoelétricas (sistema caro) que por sua vez, negociam com as distribuidoras, onde repassam para os consumidores um serviço da má qualidade com um preço super alto. O resultado disso é uma catarse quase econômica e social. Empresas e consumidores em geral atrasando as suas contas de luz.

A impressão que se tem é que o governo não sabe o que fazer com seu antigo modelo de matriz energética ao se confrontar com um novo modelo de produção e geração energética, como a energia solar fotovoltaico, eólica, biogás e de biomassa.

Apesar de o governo ter adotado um calendário de leilões realizados em 2015 e outro em dezembro em 2017 que protagonizou um avanço para o setor de energia limpa, a cadeia produtiva do setor ainda patina, em incertezas por um falta de uma visão mercadológica e de desenvolvimento do governo brasileiro.

Outro setor com bastante potencial é o setor eólico. Segundo dados da ABEEólicas (Ass. Brasileira de Energia Eólica), em 2017 foi um ano em que as usinas eólicas se tornam presentes em diversas partes do Brasil. No Nordeste, as usinas eólicas supriram a ausência das geradoras elétricas. Segue vídeo com depoimento da Elbia Gannoum, presidente da ABEEólica(abeeolica.org.br):

Energia eólica abastece quase 100% do Nordeste no domingo, das 8h às 10h – Fonte: ABeeólica/Agosto/2018

Em relação a Biogás, muito relacionado ao setor agropecuário, a engenheira ambiental, analista do Centro Internacional de Energias Renováveis – Biogás (www.cibiogas.org), Jessica Mito, fala da importância do tema, de gerar informações relevantes para o incentivo de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento das atividades agropecuárias do biogás no país.

“Este estudo visou o desenvolvimento de alternativas viáveis para o tratamento, a reciclagem e consequente geração de energia destes resíduos, garantindo assim uma pecuária mais eficiente e sustentável, impulsionando os índices de produtividade”, explicou a engenheira.

Para acessar o estudo é só acessar p link: https://materiais.cibiogas.org/projeto-biogasfert

Embora 2018 seja um ano de eleições presidenciais, dos 13 candidatos à presidente da república, apenas dois se comprometeram com a questão das energias renováveis. Seguem nomes: Fernando Haddad do (PT) e Marina Silva (Rede).

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