Botijão de Cozinha por R$ 50,00: Moradores de comunidade em Campo Grande, no Rio, compram gás a preço justo em ação da FUP e Sindipetros

Com o tema "Gás e feijão, fuzil não!", petroleiros ofertaram 350 botijões a 50 reais, metade do preço cobrado na região, e doaram 350 quilos de feijão

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Rio de Janeiro, 2 de setembro de 2021 – Em nova ação da campanha “Combustíveis a Preço Justo”, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e os Sindicatos dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF) e de Duque de Caxias (Sindipetro-Caxias) colocaram à venda 350 botijões de gás de cozinha de 13 quilos a R$ 50 para moradores da comunidade da Carobinha, em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Também foram distribuídos 350 quilos de feijão (ver depoimentos e fotos abaixo). O valor do botijão do gás comercializado a preço justo é metade dos cerca de R$ 100 que vêm sendo cobrados pelo produto em revendas da região.

A oferta foi feita respeitando as regras dos organismos de saúde para evitar o contágio por Covid-19, com o uso de máscaras, a disponibilização de álcool em gel e medidas de distanciamento.

Moradores de Campo Grande-RJ na fila para comprar gás por R$ 50,00. Divulgação/FUP

Além do benefício financeiro, a campanha “Combustíveis a Preço Justo” visa dialogar com a população sobre os prejuízos da política de reajustes dos combustíveis baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), adotada pela Petrobrás desde outubro de 2016, que considera o preço do petróleo no mercado internacional e a cotação do dólar. Essa política impacta não apenas o valor dos derivados de petróleo, como gás de cozinha, óleo diesel e gasolina,mas também os preços dos alimentos, transportes e demais itens,num efeito cascata com forte impacto sobre a inflação.

A venda de gás a preço justo é um alívio para o bolso dos consumidores, sobretudo para os mais pobres, que vêm sentindo bastante os efeitos da política de reajustes dos combustíveis da Petrobrás. Segundo dados da própria empresa, o gás de cozinha já acumula um aumento de 38,1% em 2021 nas refinarias – ou seja, quase oito vezes mais que a inflação oficial do país, de 4,76% até julho, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Tem gente usando lenha e até álcool para cozinhar. Esses reajustes que a gestão da Petrobrás vem aplicando não apenas no gás de cozinha, mas também no óleo diesel e na gasolina podem ser evitados. Basta a empresa parar de usar somente a cotação do petróleo e do dólar e considerar também os custos nacionais de produção. Afinal, 90% dos derivados de petróleo que a gente consome são produzidos no Brasil, em refinarias da Petrobrás. E a empresa utiliza majoritariamente petróleo nacional, que ela mesma produz aqui.”, explica o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.

O tema da ação “Gás e feijão, fuzil não!” é uma alusão ao presidente Jair Bolsonaro que recentemente chamou de “idiotas” quem dizia ser melhor comprar feijão a fuzil. Isso num país em que quase 20 milhões de pessoas estão passando fome, há mais de 14 milhões de desempregados e os preços dos produtos essenciais à sobrevivência não param de subir.

José Maria Rangel – diretor do Sindipetro – NF. Divulgação – FUP

O diretor do Sindipetro-NF, José Maria Rangel,  destacou a importância da ação para “mostrar como a política de preços da Petrobrás é equivocada;  favorece os ricos e prejudica os pobres. Queremos demonstrar ainda como  são necessárias ações solidárias, principalmente no momento em que vivemos de pandemia”.

O diretor da FUP, Tadeu Porto, também presente ao ato, disse que a iniciativa  permite um diálogo próximo com a população sobre “a culpabilidade do governo federal na exploração do povo através dos combustíveis. A política de preços da Petrobrás, implementada pelo governo Bolsonaro, é cruel e injusta, penaliza sobretudo os mais pobres”.

DEPOIMENTOS

“Moramos na casa da minha mãe: meu pai, minha mãe, eu, dois irmãos e minha sobrinha de 3 anos. Eu tenho dois filhos. Só minha mãe está trabalhando, estamos todos desempregados. As coisas estão muito difíceis, cada mês que passa os preços  só aumentam, está cada vez mais difícil. Estamos passando um ‘perrengue brabo’, a gente já não está aguentando mais. Nada muda. Só piora, só piora…”

Gilson Ruan Silva. Divulgação FUP

Gilson Ruan Silva, 22 anos, desempregado

 “Tenho 6 filhos, todos menores. Moramos eu e eles. Estou desempregada, faço ‘bico’, só eu que sustento a casa. Às vezes aparece uma unha [pra fazer], às vezes alugo uma mesa e uma cadeira, às vezes me chamam’para limpar uma casa, às vezes ‘cato’ pet… Vou me virando. Criança pequena dentro de casa, gasta muito gás. Quando está estudando, come na escola, gasta menos. Mas agora nem isso, né? Algumas estão indo na escola, uma semana sim, uma semana não. Mas agora eles vão para a escola e nem a merenda estão dando direito, chega em casa tudo com fome.”

Cíntia Vilas, 36 anos, desempregada

 “Tenho uma filha especial, eu vivo de um ‘LOAS’ que não dá pra nada. O pai dela não dá nada. Eu também cato latinha, garrafa pra ter uma ajuda, tô sem gás desde ontem. Ontem mesmo dormi sem janta. Tô com esses 50 reais guardados há uma semana. Graças a Deus, isso daqui [gás] caiu do céu. Moro eu e dois filhos em casa. Uma tem síndrome [down] e outro é hiperativo. Eu não posso trabalhar por causa da minha filha. Eu sou o pai e a mãe dos meus filhos, é bem difícil.”

Cíntia Vilas. Divulgação – FUP

 

Rosimeri (não quis dar o sobrenome), 55 anos

SOBRE AS AÇÕES DA CAMPANHA “COMBUSTÍVEL A PREÇO JUSTO”

O objetivo principal da campanha é conscientizar a população sobre como a política de preços adotada pela Petrobrás desde outubro de 2016, baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), afeta diretamente a vida de todos. A consequência do aumento dos combustíveis pode ser sentida em outros setores, como o de alimentos. E impacta diretamente toda a cadeia produtiva, pressionando a inflação.

Os preços justos de gasolina, diesel e gás de cozinha ofertados nas ações foram definidos a partir de estudos elaborados por técnicos e economistas, levando em consideração os preços e custos da Petrobrás e a garantia de lucratividade de empresas produtoras, distribuidoras e revendedores. O que prova que o consumidor não precisa e não deve pagar essa conta.

Rosimeri. Divulgação

A FUP e seus sindicatos alertam que, enquanto o PPI estiver no centro da política de reajustes da Petrobrás para os derivados do petróleo, os preços dos combustíveis vão subir com frequência para o consumidor final.

A forma de cálculo adotada no governo Temer, em outubro de 2016, faz com que os preços do mercado interno acompanhem as cotações do petróleo no mercado internacional, as oscilações do dólar e as importações de derivados. Este cenário deve piorar se a privatização das refinarias da Petrobrás se concretizar, fazendo disparar os preços já elevados dos derivados de petróleo.

A campanha “Combustível a Preço Justo” foi iniciada em fevereiro de 2020 em diversas cidades do país, durante a histórica greve dos petroleiros, que durou 20 dias – a maior desde 1995. Em 2021, A FUP e seus sindicatos já promoveram ações da campanha em 1º de fevereiro, em apoio à greve dos caminhoneiros, em março, em parceria com a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e também em abril e maio.

Fonte: FUP

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