Artigo: Papo com o arquiteto

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Por Eloi Bastos

Vamos falar sobre arquitetura inclusiva?

Julho, 2017 – Inclusão. Palavra bastante utilizada nos dias de hoje em todos os segmentos da sociedade. E quando falamos de arquitetura, a inclusão (ou não) fica ainda mais evidente, uma vez que trabalhamos com a forma concreta (literalmente) da palavra. Mas, para pensar um projeto inclusivo, temos que entender para quem vamos construir.

Eloi Bastos

A inclusão é automaticamente entendida como a facilidade proposta aos deficientes físicos e idosos. Mas, também temos que pensar nas gestantes, crianças, pessoas obesas, enfim, toda pessoa que não atende ao modelo padrão. Arquitetura inclusiva é, então, a arquitetura que reconhece e respeita a diversidade humana e gera acessibilidade para todos.

Quando nos propomos a fazer um projeto inclusivo, os conceitos FUNÇÃO, PLÁSTICA E TÉCNICA devem ser pensados de forma ampliada, com ideias solidárias. Colocar-se no lugar do outro, por que não?

Historicamente, a primeira padronização de acessibilidade surgiu nos Estados Unidos em meados dos anos 50. Isso se deu pelo fato de, no pós Segunda Guerra Mundial, muitos veteranos mutilados sofriam com as amputações e mobilidade reduzida. No Brasil, somente na década de 80 começaram a ocorrer transformações no que tange a legislação e algumas poucas intervenções espaciais.

Uma norma técnica brasileira muito relevante é a NBR 9050/04 – Acessibilidade a Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos e que tem força de lei federal. Nesse documento existem diversos parâmetros obrigatórios para que as produções arquitetônicas respeitem a diversidade.

Mas, reitero, a arquitetura inclusiva é uma área que requer mais que técnica e expertise em construção. É um segmento que demanda sensibilização e atenção às questões sociais. Afinal, atualmente cerca de 15% do total de brasileiros tem alguma deficiência física e 8,5% são idosos. E temos que avaliar ainda que a população idosa segue uma tendência crescente, visto um aumento significativo da expectativa de vida.

Praticar a arquitetura inclusiva é trabalhar com consciência coletiva. É se mostrar um profissional atento às tendências e às necessidades do mundo. É colocar-se à serviço da transformação das sociedades.

Que sejamos arquitetos de bem-estar e dias melhores para todos, sem exceção.

Eloi Bastos – Arquitetura e Marketing Imobiliário – comunicacao@eloibastos.com.br

 

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