Após forte recuperação em 2021, indústria latino-americana de aço inicia 2022 com cautela devido ao contexto global

Consumo regional aumentou 26,6% em 2021, espera-se ligeira queda de 2,1% para 2022

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Alacero – São Paulo, Brasil, abril de 2022. Em 2021, a produção de aço bruto aumentou 15,7% em relação ao ano anterior, atingindo um total de 64,8 Mt, enquanto a produção de laminados aumentou 19,5% (55,7 Mt). O ano terminou com um consumo regional total de 74,8 Mt, um aumento de 26,6% em relação ao ano anterior (59,1 Mt) e 15,4% em relação a 2019 (64,8 Mt). Exportações que atingiram 9,0 Mt, 19,9% a mais que em 2020 (7,5 Mt). As importações acumuladas já somaram 28,8 Mt, 46,7% acima do mesmo período de 2020 (19,6 Mt). “Os números do ano passado mostram mais uma vez a forte resiliência do nosso setor, impulsionado pelos setores de construção, agrícola e automotivo”, afirma Alejandro Wagner, diretor executivo da Alacero.

“Para 2022, espera-se uma leve queda de 2,1% no consumo aparente, principalmente devido a uma forte recomposição de estoque na cadeia. Mesmo assim, é um bom nível em relação aos anos pré-pandemia (2017-19 a média de 66,1 Mt/ano)”, acrescenta Alejandro.

No entanto, em fevereiro de 2022, a produção de aço bruto diminuiu 6,8% em relação ao mês anterior, atingindo 4,8 Mt. Com o acumulado entre ENE-FEB de 10,0 Mt, 2,2% inferior ao mesmo período de 2021. Enquanto a produção de laminados foi 3,3% menor em relação a janeiro, totalizando 4,2 Mt. A produção acumulada de laminados nos dois meses foi de 8,6 Mt, com 2,3% a mais que no ano anterior. Em janeiro de 2022, o consumo aparente foi de 5,6 Mt (-8,0% em relação a janeiro de 2021 e +4,6% em relação ao mês anterior).

O déficit comercial acumulado para 2021 ainda é crítico, 63,5% superior ao ano anterior, com -19,8 Mt. “Ainda não saímos do período de incertezas, pelo contrário, começamos um ano com incertezas domésticas com eleições, inflação e políticas monetárias rígidas que podem ter impacto sobre a atividade industrial. E a tudo isso se soma a incerteza de um conflito global, com o aumento das matérias-primas do aço, bem como o custo da energia global”, conclui Alejandro Wagner.

Outro ponto importante para o setor siderúrgico em 2022 é o impacto do conflito entre Rússia e Ucrânia. A Ucrânia é o 14º maior produtor de aço bruto (21,4Mt em 2021) e o 8º maior exportador de aço do mundo (15Mt em 2021), segundo dados da OCDE. Outro estudo da mesma organização indica que a Rússia é o nono maior exportador de minério de ferro do mundo, com produção de 25,7Mt em 2020, e o terceiro maior exportador de carvão. Portanto, o conflito entre os países pode ter um impacto substancial nos preços das matérias-primas.

“O mercado internacional teve que buscar novas alternativas devido à indisponibilidade de aço e matérias-primas da Ucrânia ou da Rússia. Isso afeta principalmente os Estados Unidos e a Europa, embora os efeitos não sejam descartados em alguns países da América Latina.

Devido à quebra de oferta devido à indisponibilidade de fornecimentos da Ucrânia ou da Rússia, a situação tem causado uma situação generalizada no mundo de aumentos de preços, quer porque estes novos fornecedores têm custos mais elevados, quer por simples excesso de procura de matéria-prima que alguns fornecedores têm”, diz Alejandro Wagner.

No mercado dominicano, por exemplo, a maior parte da matéria-prima utilizada para o acabamento dos produtos siderúrgicos veio da Ucrânia. Devido à guerra, o país teve que buscar novas fontes de produção para garantir o abastecimento da República.

Ainda outro fator que prejudica os países latino-americanos com a compra de aço é a taxa de inflação. Os governos aumentaram as taxas de juros para contê-lo, mas com as eleições de 2022, mudanças nas linhas políticas podem impactar a implementação das reformas econômicas. “Então, é importante buscar o equilíbrio entre demanda e produção e também a cooperação dos países para continuar alcançando melhores resultados. Por exemplo, há uma oportunidade de modernizar e renovar a siderurgia com novos investimentos verdes no médio e longo prazo, pois a renovação em um momento de escassez de energia aumentaria os custos”, conclui Alejandro Wagner.

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