Cimento e fio de cobre puxam alta nos preços dos insumos da construção civil em 2025, aponta IPMC

Sul e Nordeste lideram alta nos custos dos principais materiais, enquanto Norte e Centro-Oeste registram queda

 

Florianópolis, fevereiro de 2026 – Os preços dos principais insumos da construção civil no Brasil fecharam 2025 com aumentos expressivos no cimento e no fio de cobre, segundo o Índice de Preços de Materiais de Construção (IPMC) divulgado pelo Ecossistema Sienge. O levantamento mostra que o Sul e o Nordeste foram as regiões que mais sofreram pressão nos custos, com altas de até 11,9% no cimento e quase 20% no fio de cobre, enquanto o Norte e o Centro-Oeste registram um cenário mais favorável, com predominância de quedas e menor disseminação de altas

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O IPMC é desenvolvido pelo Ecossistema Sienge, com metodologia da Cica Rev Consultoria e apoio institucional da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC). O índice acompanha mensalmente insumos que podem representar até 55% dos custos totais de materiais de obra. A íntegra do índice pode ser acessada neste link.

“2025 marcou um período de acomodação da inflação nos materiais de construção. No recorte nacional, não houve uma pressão generalizada de preços, mas as diferenças regionais seguem relevantes. Um mesmo insumo pode apresentar variações significativas entre regiões, o que reforça a importância de uma leitura regionalizada dos dados.” explica Gabriela Torres, Gerente de Inteligência Estratégica do Ecossistema Sienge.

Onde os preços mais subiram: o retrato regional dos insumos da construção em 2025

Sul : maior pressão de custos, impulsionada por cimento e fio de cobre

A região Sul lidera a alta nos preços dos insumos essenciais da construção. O cimento avançou +8,4% no acumulado do ano, enquanto o fio de cobre teve a maior alta do país, com +19,5%. Esses aumentos exerceram forte pressão sobre os orçamentos locais, refletindo a dinâmica econômica e a demanda na região. Outros insumos, como ferro, tinta e argamassa, mostraram deflação ou estabilidade, mas o peso dos dois principais materiais pesou no custo total.

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José Carlos Martins, Presidente do Conselho Consultivo da CBIC, explica que a variação regional apresentada pelo IPMC dá luz a como os insumos são trabalhados dentro do país, mesmo sem uma causa óbvia aparente. “Em 2025, vimos um descolamento preocupante entre câmbio e preços de insumos dolarizados, como o cobre, que subiu mesmo com a queda do dólar. Além disso, produtos comoditizados, como o cimento, tiveram variações regionais muito disformes. Esses movimentos fogem da lógica histórica.”

Nordeste: forte impacto do cimento eleva custos das obras

No Nordeste, o cimento foi o principal vetor de alta, com avanço acumulado de +11,9%, contribuindo significativamente para o aumento dos custos de construção. Embora o fio de cobre também tenha registrado aumento, a variação foi mais moderada em relação ao Sul. Argamassa e tinta apresentaram queda nos preços, amenizando parcialmente o impacto da inflação do cimento.

Sudeste: pressão moderada com compensação da deflação em outros insumos

A região Sudeste apresentou uma pressão moderada nos custos dos principais materiais. O cimento e o fio de cobre tiveram alta menos expressiva do que nas regiões Sul e Nordeste, enquanto o ferro, a argamassa e a tinta registraram deflação, compensando parte da inflação e ajudando a equilibrar o orçamento das obras. Essa dinâmica regional reflete um mercado mais estável, embora atento às oscilações dos insumos mais pesados.

Norte e Centro-Oeste : cenário mais favorável com predominância de quedas

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o cenário foi mais positivo para os construtores, com predominância de deflação na maior parte dos insumos acompanhados pelo IPMC. O Norte, por exemplo, registrou queda de -4,46% no cimento, enquanto o Centro-Oeste teve deflação expressiva no fio de cobre (-8,77%) e estabilidade relativa em outros materiais. Esse contexto favorece o controle dos custos e indica um mercado com menor pressão inflacionária em 2025 nessas regiões.

Outro insumo que chama atenção é o ferro. Embora todas as regiões tenham registrado deflação no acumulado de 12 meses, o Norte apresentou a maior queda do período, com retração de 18,59%. Já o Centro-Oeste, teve a menor redução entre as regiões, ainda assim significativa, com deflação de 6,77%.

Entenda a metodologia usada

O modelo estatístico foi desenvolvido para medir a variação média dos preços de insumos essenciais da construção civil em todas as regiões do Brasil. O IPMC utiliza técnicas avançadas de tratamento de dados e inteligência artificial para garantir precisão, representatividade e confiabilidade nos resultados, além de realizar classificação automática dos insumos e extrair características relevantes das descrições dos produtos. Esses atributos serviram de base para agrupar os itens em categorias homogêneas, assegurando maior precisão na composição dos indicadores. A validação dos resultados foi calculada com um intervalo de confiança de 95%, o que garante confiabilidade estatística nos valores mensais estimados para cada insumo.

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