80% do desmatamento da Amazônia é causado pela agropecuária: o que todos nós temos a ver com isso?

Dia Mundial do Meio Ambiente acontece em 5 de junho e levanta o debate para o papel da nossa geração em restaurar os ecossistemas

179

Maio, 2021 – O tema deste ano do Dia Mundial do Meio Ambiente, data criada pela ONU, é a restauração dos ecossistemas. No Brasil, segundo o Inpe, 80% do desmatamento da Amazônia é causado pela agropecuária e em plena crise do COVID-19, os alertas de desmatamento na região aumentaram 63,75%.

Além de causar um enorme impacto na biodiversidade dos biomas, o desmatamento e a agropecuária são responsáveis pela degradação do solo, da água e do ar com a emissão de gases do efeito estufa e uso de produtos químicos que contaminam todo o sistema natural.

Hotel fica bem próximo da Vila Capivari, centrinho da cidade
. Divulgação: Grupo AP2

Com o lema “Prevenir, deter e reverter a degradação”, a ONU faz um chamado para que todos se envolvam no processo de restauração dos ecossistemas mostrando como as ações de consumo e escolhas de cada indivíduo impactam a qualidade de vida dos humanos e da biodiversidade.

O que fazer?

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) divulgou que estamos perdendo espécies a uma taxa 1.000 vezes maior do que em qualquer outro momento da história humana. Cerca de um milhão de espécies enfrentam a extinção.

E como isso poderia ser mudado? A ONU aponta que a restauração dos ecossistemas poderia se dar de diversas maneiras: plantio de mais árvores, planejamento de cidades mais verdes, limpeza dos rios e mudança nas dietas, por exemplo.

O veganismo como política social, ambiental e alimentar

Prato do Restaurante Alquimia. O menu é totalmente vegano
Foto:Carla Paraizo

A epidemióloga e doutora em Zoologia pela Universidade de Oxford, Dra Cynthia Schuck,  esclareceu recentemente em algumas lives sobre a relação do consumo de carne animal com o surgimento das epidemias. Segundo ela, se o modelo de produção e consumo continuarem dessa maneira, muito provavelmente ainda enfrentaremos outras epidemias como essa que estamos vivendo.

Para a epidemióloga as regras de biossegurança não são totalmente seguras e basta um pequeno deslize para que um vírus ou uma bactéria se espalhe entre os animais que são criados em espaços restritos, com alto uso de antibióticos e em estresse constante. A contaminação de humanos e o início de uma grave crise sanitária é um risco constante.

Adotar o veganismo é uma das formas mais eficazes para evitar novas epidemias e pandemias, segundo a especialista.

Consumidores estão procurando mais alimentos plant-based

Segundo pesquisa da ADM, líder global em alimentação, 56% dos entrevistados afirmaram estar escolhendo produtos classificados como plant-based (à base de plantas) com o objetivo de diminuir o consumo de alimentos de origem animal.

Com o crescimento da demanda de alimentos à base de proteína vegetal, muitas novidades estão em desenvolvimento, inclusive frutos do mar como marisco e camarão. As novas carnes à base de plantas incluem produtos de músculos inteiros como bife e peito de frango, carne de almoço, bacon e muito mais.

Restaurante Alquimia: veganismo em Campos do Jordão

Cheesecake preparado com morangos da horta.
Carla Paraizo

O Hotel Serra da Estrela, localizado na Vila Capivari, em Campos do Jordão, é referência pelo seu engajamento em causas ambientais. Há 5 anos o empreendimento se encaminha para o vegetarianismo e tem em suas dependências o Restaurante Alquimia, que é totalmente vegano.

“Em 2014, a minha filosofia de vida começou a conflitar com o meu negócio. Eu já era engajada com a causa animal e passei a pensar em uma estratégia para deixar tudo mais harmônico: meus princípios e o modelo de negócio que eu desenvolvia. Em 2015, eu decidi que era hora de tornar o Alquimia em 100% vegetariano e já no ano seguinte ele se transformou em vegano ao tirar do cardápio pratos que levassem leite ou ovos”, explica Denise Bernardino, proprietária do hotel Serra da Estrela.

Como mais uma forma de incentivar a alimentação livre de sofrimento animal e sem agrotóxico, há 2 anos o hotel desenvolveu uma horta de produtos orgânicos para fornecer matéria-prima para o seu restaurante.

Além de garantir produtos de alta qualidade para os clientes, o intuito é conscientizar hóspedes e a população em geral sobre os malefícios a longo prazo, causados por adubos químicos à saúde e ao meio ambiente.

Depois de colhidos, os vegetais vão fresquinhos para a cozinha do Alquimia para serem transformados em salada, temperos, geleias, pratos principais e sobremesas. O cardápio do restaurante é criativo e tem diversas variações de saladas, lanches, sopas e cremes, pizzas e a feijoada vegetariana, um dos itens do menu mais elogiados e que é servido aos sábados.

Com #AChaveParaMudar, hotel e restaurante fazem um convite aos hóspedes e clientes para reduzirem ou eliminarem o consumo de carne animal como uma das formas para restaurar os ecossistemas.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.