Novas soluções de segurança contribuem para redução dos acidentes de trabalho nos canteiros de obras

Impulsionada pelas recentes atualizações nas Normas Regulamentadoras, construção civil investe em equipamentos de proteção individual de alta performance e novos modelos de andaimes e máquinas, com foco na gestão preventiva

Fevereiro, 2026 – A construção civil brasileira começa a registrar uma redução relevante em um de seus desafios mais históricos: a segurança do trabalho. Dados recentes mostram que, apesar de ainda figurar entre os setores com maior risco ocupacional, o segmento vem reduzindo de forma consistente o número de acidentes em canteiros de obras, sobretudo, os de maior gravidade.

O levantamento mais recente, divulgado pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) no fim do ano passado, com dados de 2023, mostra que o setor apresentou uma redução de mais de 30% de acidentes típicos em relação ao ano anterior. A letalidade teve recuo de 60% e o indicador de mortalidade caiu 71%.

Obras de construção do B41, em Curitiba, com andaimes fachadeiros

A adequação do setor da construção civil às atualizações das Normas Regulamentadoras, que são as diretrizes sobre segurança e saúde do trabalhador, tem grande influência nessa inflexão. Após a reformulação da NR-18, que trata da Segurança na Indústria da Construção, e a publicação da nova NR-1, que terá vigência plena a partir de maio de 2026, o foco passou a ser a gestão preventiva.

Passamos de um modelo que praticamente se resumia a exigências documentais, para uma lógica diferente, de gestão contínua dos riscos ocupacionais. Agora é exigido o monitoramento e atualização constantes do Programa de Gerenciamento de Riscos“, explica o engenheiro, sócio e diretor-executivo da AGL Incorporadora, Luiz Antoniutti.

Segundo Antoniutti, a atualização das NRs e a integração com sistemas como o eSocial ampliaram o controle e a rastreabilidade das informações, incentivando as empresas a manterem treinamentos, inspeções e registros sempre atualizados. “São medidas que contribuem para uma importante mudança de mentalidade do construtor. A segurança na obra deixa de ser vista como despesa e passa a ser entendida como um investimento necessário, o que se alinha à sustentabilidade social na construção civil, também impactada pelo cuidado com o meio ambiente”, completa.

Evolução dos EPIs e EPCs: proteção, ergonomia e conforto térmico

A evolução dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) é um dos pilares dessa transformação, com a adoção dos modelos de alta performance. Capacetes, calçados de segurança, luvas e protetores oculares passaram a incorporar materiais mais leves, ergonômicos duráveis, o que melhora o conforto térmico e amplia a adesão dos trabalhadores ao uso correto dos EPIs.

Os materiais evoluíram, saindo de couros pesados para tecidos tecnológicos, com luvas específicas para cada risco e calçados com solados de alta aderência, que reduzem drasticamente as lesões por esforço e impacto. Antigamente eram usados cintos de segurança abdominais, que causavam lesões graves em quedas. Hoje, os cintos com talabartes duplos são padrão“, explica o engenheiro e gerente de Obras da AGL, Rodolfo Martinelli.

No campo das proteções coletivas, o avanço é ainda mais evidente. Guarda-corpos metálicos pré-fabricados, redes de segurança, linhas de vida, elevadores de cremalheira e plataformas elevatórias substituíram soluções precárias do passado, criando ambientes de trabalho mais estáveis e previsíveis — especialmente em atividades em altura. Nas máquinas autopropelidas, como escavadeiras, tratores, e pavimentadoras, as cabines devem ser refrigeradas e ter isolamento acústico, exigência da NR-18 que passou a valer para as novas máquinas em janeiro de 2026.

As novas soluções são acompanhadas por rotinas como o Diálogo Diário de Segurança (DDS), análises preliminares de risco, checklists de equipamentos e inspeções periódicas dos sistemas de proteção, algo que já está implantado em canteiros de obras mais estruturados. Um exemplo é o do empreendimento de moradia universitária B41, das incorporadoras AGL e ALTMA.

Na construção, em frente ao câmpus Curitiba da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), a segurança foi incorporada ao planejamento desde as etapas iniciais da construção. O canteiro utiliza sistemas de proteção perimetral contínua, com andaimes fachadeiros, compostos por quadros e modulações, que acompanham a estrutura ao longo do ciclo de concretagem, criando uma barreira física permanente contra quedas de trabalhadores e de materiais. Cada vez mais utilizados na construção de edifícios, essas estruturas metálicas, de aço-carbono, têm plataformas antiderrapantes e são versáteis, porque se adaptam às diversas etapas e atividades da obra.

Segundo o engenheiro, a adoção desse tipo de sistema reduz a necessidade de improvisações e elimina a montagem sucessiva de proteções temporárias a cada pavimento. “Quando a segurança faz parte do planejamento, o trabalho só começa quando o ambiente está efetivamente seguro. Isso protege as pessoas e traz ganhos de organização, produtividade e previsibilidade para a obra“, afirma.

Além dos avanços normativos e estruturais, o setor passou a incorporar ferramentas de controle mais sofisticadas — como a integração das rotinas de segurança ao eSocial, o uso de tecnologias de monitoramento e uma atenção crescente ao bem-estar psicológico das equipes — ampliando a capacidade de prevenção de riscos no canteiro.

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