Vendas de cimento fecham 2025 com forte desempenho

Janeiro, 2026 – As vendas de cimento em dezembro somaram 4,9 milhões de toneladas, um aumento de 4,7% em relação ao mesmo mês de 2024, de acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Cimento (SNIC). Com esse resultado, o setor encerrou 2025 com um total de 67 milhões de toneladas comercializadas, acumulando uma alta de 3,7% em 2025 — o que representa 2,4 milhões de toneladas a mais sobre o ano anterior.

A atividade consolidou a retomada iniciada com a recuperação de 3,9% registrada em 2024. O desempenho corrobora a trajetória de expansão, embora o volume total ainda permaneça distante do recorde histórico de 2014, de 73 milhões de toneladas.

Todas as regiões apresentaram crescimento anual acumulado, com liderança do Nordeste (7,2%), seguido por Norte (4,0%), Sul (3,1%), Sudeste (2,7%) e Centro-Oeste (1,9%).

2025 foi marcado por um cenário macroeconômico de contrastes. De um lado, o setor foi impulsionado pelo aquecimento do mercado de trabalho: o desemprego¹ recuou para 5,2% em novembro — o menor da série histórica, com 5,6 milhões de pessoas desempregadas —, enquanto a população ocupada atingiu o recorde de 103 milhões e o rendimento médio registrou o maior valor já apurado, ampliando a massa salarial, que tem forte correlação com as vendas do setor.

Por outro lado, a economia enfrentou a desaceleração do PIB ao longo do ano e uma política monetária contracionista. A Selic chegou a 15% em junho e permaneceu neste patamar ao longo de 2025, o nível mais alto desde julho de 2006. Tal conjuntura retraiu o crédito imobiliário via poupança (SBPE). O quadro foi agravado pelo alto endividamento (comprometendo 49,1% da renda da população) e pela inadimplência recorde², que atingiu 80,4 milhões de pessoas em outubro, a maior da série. Além disso, houve forte concorrência do orçamento familiar com as apostas eletrônicas.

Na atividade da construção habitacional, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) consolidou-se como vetor essencial para a indústria do cimento. No acumulado do ano até setembro, os lançamentos do programa cresceram 7,9%, enquanto as vendas registraram alta de 15,5%. O destaque ficou com a região Norte, onde o programa respondeu por 60% dos lançamentos imobiliários. Já a região com o maior número de unidades lançadas foi o Sudeste, com 34.099 imóveis no terceiro trimestre.

A ampliação para novas faixas de renda e as novas regras de crédito — que aumentará o funding para até 100% da poupança e o teto maior no valor do imóvel —, aliadas às mudanças no Imposto de Renda, buscam recompor a capacidade de compra da classe média e reduzir o déficit habitacional.

Na infraestrutura, o saneamento continuou atraindo investimentos. No segmento rodoviário, o pavimento de concreto seguiu avançando como solução de maior durabilidade, mais sustentável e alinhada às diretrizes de descarbonização do Ministério dos Transportes. Estados como Paraná, Santa Catarina, Goiás e o Distrito Federal destacaram-se por fortes aportes nessa tecnologia. A solução também tem sido replicada em ruas e avenidas de cerca de 200 municípios, valorizando atributos como a redução do consumo de combustível, ilhas de calor e maior luminosidade das vias.

Esse avanço caminha lado a lado com a responsabilidade climática. O Brasil mantém uma das menores intensidades de carbono do mundo (580 kg CO₂/t) e acelerou sua transição energética: o coprocessamento – geração de energia de combustíveis alternativos – atingiu a marca de 30% da matriz energética, equivalente a 3 milhões de toneladas de resíduos e biomassas, evitando a emissão de 2,8 milhões de toneladas de CO₂.

Elevando a ambição climática, o setor lançou na COP30 o Roadmap Net Zero. Por meio dele, o SNIC mapeou uma série de alavancas, dentro do processo produtivo e ao longo do ciclo de vida do produto, para atingir a neutralidade de emissões até 2050. São medidas que abrangem maior uso de adições e matérias-primas alternativas, ampliação dos combustíveis alternativos em substituição aos fósseis não renováveis, maior eficiência na produção de concreto e sistemas construtivos, utilização de energias limpas, captura e estocagem de carbono e soluções baseadas na natureza.

Além disso, a atividade integrou a Missão 5 da Nova Indústria Brasil (NIB), sendo reconhecida como estratégica para a descarbonização industrial, e esteve à frente dos debates do Plano Clima, aprovado pelo governo em dezembro de 2025.

Na inovação, o hubIC3 — parceria com a USP, ABCP e SNIC — segue impulsionando a construção digital rumo à Indústria 4.0, com destaque para a coordenação da Rede More, projeto inédito para mensurar a pegada de CO₂ das habitações, visando fomentar a economia de baixo carbono.

Essa convergência entre tradição e vanguarda pavimenta o caminho para 2026, ano de dupla celebração: o início da jornada para os 90 anos da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o centenário da indústria brasileira do cimento. O setor, presente em 23 estados, registrou faturamento em torno de R$27 bilhões, gerou 85 mil empregos diretos e indiretos e mantém a previsão de investimentos de R$27,5 bilhões entre 2023 e 2027. 

“O desempenho da indústria brasileira do cimento em 2025 esteve em linha com as projeções do SNIC, sustentado pelo programa Minha Casa, Minha Vida e pelo avanço na infraestrutura, fortalecendo o pavimento de concreto como solução estratégica e sustentável. Celebramos também o sucesso da nossa agenda ambiental, com recorde no coprocessamento e o lançamento do Roadmap Net Zero durante a COP 30. Fechamos o ano consolidando a recuperação, mas atentos à conjuntura econômica, especialmente à taxa Selic e ao impacto do endividamento na renda das famílias”
Paulo Camillo Penna – Presidente do SNIC

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