Segurança contra incêndio continua longe de ser prioridade para os brasileiros

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Outubro, 2018 – Do incêndio no edifício Joelma, passando pela tragédia na boate Kiss, o recente desabamento de um prédio no centro de São Paulo e a destruição do Museu Nacional no Rio de Janeiro, a cultura de segurança dos brasileiros ainda não coloca o incêndio entre as prioridades, segundo Ademir Santos, supervisor de Treinamento da Honeywell para a América Latina.

O executivo apresentou-se durante a palestra “Situação atual e tendência na normalização para detecção e alarme de incêndio – NBR 17240/2010” na Fire Show – International Fire Fair, no São Paulo Expo, quando abordou a questão. “O Comitê CB-024 de Segurança contra Incêndios da ABNT tem 87 normas técnicas em vigor e duas normas em consulta pública. Além disso, o Brasil é signatário do acordo de boas práticas da OMC. Mas o que também pode fazer uma grande diferença nesta questão é a pressão da sociedade e de entidades do setor para uma legislação mais forte”, destacou.

De acordo com Santos, os brasileiros têm muitos outros problemas para se preocupar antes de se lembrarem da segurança contra incêndio. Já nos Estados Unidos, por exemplo, há várias décadas algumas cidades passaram por verdadeiras devastações causadas pelo fogo que custaram muitas vidas e bilhões de dólares, o que levou os governos locais, regionais e estaduais a tomarem atitudes legislativas drásticas em relação à segurança. “Lembrando também que lá, as construções em madeira são muito mais comuns e um risco adicional”, ressaltou ele.

As duas normas de segurança contra incêndios da ABNT em consulta pública podem ser verificadas nos sites www.abntonline.com.br/consultanacional.

Realidade virtual da Cedro Têxtil mostra “de perto” a resistência de seus uniformes contra o fogo

Os visitantes da indústria de segurança ao trabalhador que passarem pelo estande da Cedro Têxtil na Fisp – Feira Internacional de Segurança e Proteção, que ocorre até sexta-feira no São Paulo Expo, podem conferir de perto o teste de queima dos uniformes de proteção da empresa. Basta colocar os óculos 3D e flutuar de forma bastante realista e com visão 360º sobre o laboratório no qual o uniforme é alvo de seis canhões de fogo por vários segundos, mantendo a integridade ao final.

A fabricante de workwear está lançando na feira mais de 30 produtos, alguns com tecnologia agregada exclusiva no Brasil, como o Cronos FR, um jeans com retardante de chamas e arco-elétrico voltado a profissionais que trabalham com eletricidade e na área de petróleo e gás, aprovados de acordo com normas internacionais. “Aqui na Fisp também estamos apostando em realidade aumentada nos nossos folhetos, que abordam o uniforme de proteção como um exoesqueleto e tornam mais fácil para os visitantes conseguirem visualizar como as novidades funcionam na prática”, conclui Eduardo Silva, coordenador de Comunicação da empresa.

Normas evitam que incêndios provoquem queda de edifícios

O incêndio, seguido de desabamento, do Edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, ocorrido em maio deste ano mostra que a falta de atendimento a normas de prevenção ainda coloca em risco de colapso edificações no país. A crítica é do professor Valdir Pignatta e Silva, do Departamento de Engenharia de Estruturas e Geotécnica da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, que falou sobre “Desastres de Edifícios Decorrente de um Incêndio”, durante o 20º Cobeni (Congresso Brasileiro de Engenharia de Incêndio), que acontece junto com a Fire Show 2018.

Assim como o Edifício Wilton Paes de Almeida, construído há mais de 50 anos, portanto antes das normas serem editadas, outros edifícios em São Paulo também apresentam risco e deveriam se adequar às exigências. “Com a legislação atual, um incêndio que se inicie num pavimento de um edifício de múltiplos andares não pode passar para o andar superior”, explica o especialista em estruturas em situação de incêndio.

Segundo Pignatta são poucos os edifícios que colapsam no mundo. “O projeto tem de ser feito de maneira que o incêndio fique confinado em seu local de origem. Qualquer edifício, de qualquer material estrutural – concreto, aço, alvenaria, madeira, o que quer que seja -, se projetado conforme as normas e regras atuais tem uma segurança adequada”.

Corpo de Bombeiros apresenta suas ações sociais durante a Fire Show

O Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo apresenta, durante a Fire Show 2018, seu trabalho social de conscientização e prevenção contra incêndios e acidentes De acordo com o Sargento Fabri, atualmente são realizadas 5.575 ações de Educação Pública pelo grupamento, presente em 173 cidades do estado.

Um dos destaques é o Bombeiro Mirim, que tem apoio de empresas e é realizado pela Fundabom (Fundação de Apoio ao Corpo de Bombeiros). Trata-se de uma ação destinada a crianças da periferia. “Damos noções de cidadania e também orientações sobre como prevenir acidentes e incêndios e como agir em momentos de risco”, explica Fabri. O sargento destaca também o Projeto Chama Segura, realizado em áreas onde são identificadas ocorrências frequentes de acidentes com botijões de gás de cozinha. “Em contato com as lideranças locais, reunimos os moradores para falar dos cuidados que devem adotar. No final fazemos, gratuitamente, a troca das válvulas dos fogões”, afirma.

“Temos ainda o projeto Bombeiro na Escola onde alunos dos oitavos períodos de instituições municipais e estaduais de ensino recebem semanalmente a visita de instrutores do Corpo de Bombeiros fora do horário das aulas”, lembra Fabri. Os jovens recebem noções de primeiros socorros; prevenção de acidentes domésticos; noções de salvamento; cidadania e ética e preservação do meio ambiente. No último dia de aula, os estudantes desenvolvem e aplicam um plano de abandono da escola, o qual simula um cenário de emergência e a saída controlada de todos os alunos do local.

Startup de Rondônia aposta em softwares inovadores para auxiliar empresas

A startup eSocial MED, de Rondônia, que participa da Fisp – Feira Internacional de Segurança e Proteção pela primeira vez, aposta na tecnologia para ajudar empresas a organizar e agilizar procedimentos trabalhistas, o que também acaba contribuindo para a produtividade e a saúde de funcionários.

Por meio de softwares inovadores, a startup oferece serviços como a Recuperação de Crédito sobre o SAT/RAT (Seguro contra Acidentes de Trabalho/Riscos Ambientais de Trabalho), com auditoria gratuita, o que auxilia empresas a detectar falhas e, assim, economizar, evitando multas e gastos administrativos.

Outro serviço oferecido é o de Educação Financeira. Segundo a startup, a pesquisa Employee Financial Wellness Survey, realizada pela PricewaterhouseCoopers (PwC), aponta que trabalhadores estressados com problemas financeiros têm o dobro de risco de falta ao trabalho devido a questões pessoais, e estão mais inclinados a citar problemas de saúde causados por estresse financeiros.

Fonte: Imprensa/ Fire Show 2018

 

 

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